Entrevista com Yoshigasaki sensei 8º dan
Instrutor Chefe da Ki no Kenkyukai, Europa
O qué Ki?
Ki é uma palabra japonesa, que se escreve com caracteres chineses, por isso tem um significado chinês e outro japonês, e esses significados são muito diferentes e acabaram criando muita confusão. O significado da palavra em chinês – suponho que a pronuncia seja algo assim como Qi, ou algo parecido -, deveria-se perguntar ao povo chinês, mas como eu sou japonês, prefiro utilizar a palavra Ki de modo japonês, que significa algo assim como algo que não está claro, que não pode ser definido. Na vida diária pode significar sentimentos, sensações ou emoções ou idéias, as quais não estão todavia claras mas o estarão mais adiante. Ou alguma motivação, etc, etc. É por isso que entender Ki é muito importante, no sentido que esse é um processo de compreensão de nossa própria vida e de compreensão de nós mesmos.
Sensei, senhor tem um método específico de ensinar as turmas de Ki e outro diferente para as de Ki-Aikidô?
Ensinar as turmas de Ki é praticar as noções básicas. Mas a questão é que a prática de Ki se realiza na vida diária, o que é difícil mas é a única maneira. É por isso que eu pratico Ki-Aikidô, é o significado de porque nós utilizamos os princípios do Ki para a prática física desta arte marcial: o Aikidô, com ele as pessoas obtém um bom exercício e a prática do Aikidô se pode integrar à vida diária e desta forma é muito mais fácil para as pessoas continuar a prática durante mjuito tempo. Outra razão é que praticando as técnicas de Aikidô, certas coisas do Ki são muito mais fáceis de explicar e entender. Por isso eu realmente penso que o Ki-Aikidô é uma muito boa forma de praticar Ki.
Quando falamos sobre Ki, isso seria como a parte oculta das artes marciais como o Aikidô. Poderia nos dar algum exemplo de desenvolvimento não marcial às pessoas?
A pratica do Ki é boa para todas as pessoas do mundo mas a questão é que em um nível superficial é muito fácil de ser alcançada por muita gente. Mas sempre que se quer chegar a um nível mais profundo você precisa viver com isso, esta é a dificuldade. Normalmente as pessoas necessitam de uma atividade física que poderia ser o Yoga, Taichi ou uma terapia, realmente não é importante qual é. O que realmente é importante, é que as pessoas podem usar os princípios do Ki em suas atividades físicas. É por isto que o Aikidô é bom, mas, se outras pessoas usam os princípios do Ki em sua vida cotidiana, também está bem.
Sensei, o senhor explicou a diferença entre as turmas de Ki e de Ki-Aikidô, mas poderia especificar, em um sentido básico, por quê o senhor está ensinando Ki de todas as formas?
O motivo do porque ensino Ki é porque ninguém mais o faz. Este é basicamente o motivo. Mas, atualmente, em casa, me pergunto o porque de eu ensinar. Quando ouço a outros professores ensinando, muitas vezes sem sentido ou com erros, ou quando vejo livros de meditação, muitos deles estão repletos de sem sentidos. Por isso, minha motivação é dada porque há muitos professores incapacitados no mundo, e alguém deveria ensinar da forma correta. Esta é a única motivação de meu ensinar.
Poderia dar-me uma definição de ciência, e também uma indicação do que a ciência está fazendo a nossa sociedade?
A ciência original remonta aos tempos gregos. Suponho que na época dos gregos a ciência era a inverstigação da Natureza, o Universo, os seres humanos, etc. e isso continua até o século XV, antes da revolução industrial. Os cientistas eram ao mesmo tempo artistas, como Leonardo da Vinci, etc., e filósofos, deste modo visto tudo está conectado. Mas, então, após a revolução industrial, na Inglaterra, a ci~encia tornou-se muito material, porque se podia utilizar a ciência com o propósito do progresso material e da industrialização. Assim, após isso, a revolução industrial científica chegou a ser muito materialista, o que não é tão bom para a vida, já que a ciência material está baseada no princípio material. Atualmente as pessoas estão começando a utilizar a ciência para a vida, porque, claramente, nos últimos digamos 20 ou 30 anos temos visto que o progresso material não é suficiente. Então, quando os professores das universidades que procuram entender a vida humana com a ciência chamada ciência humana ou algo completamente equivocado. Deste modo que esses erros estão fazendo danos e criarão muitos mais em nossas vidas. Este é porque meu propósito é propor algo que possa substituir a ciência material; significando com algo, algo que tenha uma estrutura tão boa como a ciência.
Sensei, o que significa "Shin Shin Toitsu", e “unidade de mente e corpo”. É o mesmo que coordenação de mente e corpo? O que é mente e o que é espírito?
Ambos, unificação de mente e corpo, ou unidade de mente e corpo, e coordenação de mente e corpo são traduções de palavras chinesas ou japonesas, de modo que são a mesma coisa. Essa unificação de mente e corpo, eu não sei que começou essa idéia; quiçá las pessoas do zen ou os chineses, eu não sei. Mas essa unificação de mente e corpo é apenas uma parte do que estou ensinando. É um bom conceito, mas não é tão importante.
A mente é um conceito: algo que move o corpo. Esse é o conceito normal de mente. Espírito é uma palavra religiosa, assim, eu realmente nunca uso a palavra espírito. Para mim, espírito é uma palavra para as pessoas religiosas, que crêem em Deus.
Seguindo com o que o senhor acaba de explicar, poderia dar-me uma definição da palavra meditação?
A palavra meditação é também um vocábulo inglês, e realmente não sei quem o inventou. Não posso encontrar nenhuma palavra japonesa que corresponda com meditação, assim que é uma coisa que eu não sei muito bem. Digamos que é uma palavra conveniente para descrever certas atividades com as quais podemos intentar entender nossa própria vida em relação com o mundo. Assim, de alguma forma, eu uso a palavra meditação para significar que as atividades se unificam com a vida e estes com o mundo inteiro.
Sensei, Ki e respiração parecem seguir juntos. Por quê é assim, e há uma razão para que, em geral, muitos de nós respiremos inadequadamente?
Ki, é algo que não está claro, mas chega a estar claro mais tarde. Mas a maioria das pessoas respirar é também Ki, porque a maioria das pessoas não é consciente de sua própria respiração. Algumas vezes a respiração chega a parecer estar perturbada, sem que as pessoas se dêem conta disso; deste modo praticar o Ki na vida diária é um caminho para conhecer nossa própria respiração. Mas, então, para fazer isso, é preciso entender também a prática da respiração como uma prática básica do diafragma, o qual, deve mover-se bem. Esta é a pra´tica básica. E então, depois disso, fazemos a pratica de não respiração, o que significa que você deve conhecer sua própria respiração.
Segundo o que eu pude sentir em mim mesmo, uma respiração melhor tem muitas implicações. Há algo mais a dizer sobre as conseqüências físicas de uma boa respiração? O que pode dizer sobre a relação entre respiração e emoções e consciência?
A influência de uma boa respiração para a saúde, bem, suponho que uma boa respiração ajude a manter uma boa saúde. Não tenho as estatísticas, mas espero que seja desse modo. Para a parte emocional também. Muita gente não se dá conta quando respiram de forma incorreta. Evidentemente, quando você respira mal tuas emoções se perturbam. Realmente, não há problemas com as emoções, apenas com as perturbadas, o que faz com que a respiração, por sua vez, seja perturbada. DE modo que, praticando boa respiração, tuas emoções chegam a ficar claras e imperturbáveis. Então você perceberá que ter emoções é bom, e de alguma forma todas as emoções são belas.
O que é emoção?
Emoção é um movimento do corpo provocado ou relacionado com o movimento do diafragma.
Poderia nos dar uma idéia do significado funcional das emoções? Por que temos emoções?
Não sei o porquê, mas quase sempre que percebemos algo exterior a nós temos uma reação. Quando essa reação não é harmoniosa, então a parte que não é harmoniosa deve expressar-se pelo movimento do corpo. Por ele, ter emoções é muito bom, sempre. O único porém é quando você está respirando de forma incorreta e o diafragma não se move corretamente, então o movimento interior não é harmonioso e não é bom para o corpo. Se as emoções beneficiam o corpo está bom, mas a realidade para muita gente é que as emoções molestam o corpo, e esse é o problema.
Poderia nos dar alguma idéia de consciência; o que é consciência? O senhor vê alguma melhora da consciência graças à prática da respiração Ki ou de prática de Ki?
A palavra consciência é uma palavra que quase não utilizo porque não entendo realmente seu significado. Portanto não posso responder a pergunta. Mas posso dizer porque não utilizo a palavra consciência. Estar consciente significa que você percebe algo que antes não percebia. Portanto, é impossível praticar a consciência porque você nunca pode praticar o estar consciente de algo. Por isso que quando tua mente está livre, então há uma possibilidade de que você possa estar consciente de coisas novas. É por isso que nunca uso a palavra consciência quando ensino as pessoas.
Desculpe, não entendi sua definição de consciência.
Estar consciente de algo significa perceber algo que não se percebia antes. Isso é um descobrimento. É por isso que não podemos praticá-lo, porque não podemos praticar o descobrimento. Podemos descobrir apenas quando a mente está livre, assim, a prática consiste em manter nossas mentes livres.
Sensei, muitas vezes eu o tenho ouvido explicar que as turmas de Ki são para nosso próprio desenvolvimento, e que a meditação é algo mais que terapia. De que modo pode uma turma de Ki ser interessante para um terapeuta? Poderia um terapeuta chegar a ser um mestre de Ki? Esse é o sentido da palavra setsudo?
Em primeiro lugar, a prática de Ki é para nossa própria vida, sendo que as pessoas interessadas na terapia estão principalmente interessadas em curar outras pessoas, portanto estão interessadas em outras pessoas. Mas, então, a técnica para fazer algo para outras pessoas, tratar com outras pessoas, e a técnica de tratar consigo mesmo são diferentes. É por isso que eu sempre digo que esta meditação, ou a prática de Ki, não é terapia. Explicar isto é especialmente importante para ver a diferença entre meditação e psicologia. Assim deixo sempre claro para que as pessoas não usem a meditação como uma psicoterapia.
E então, setsudo, é uma palavra japonesa que não sei quem começou a usa-la. Significa ensinar a verdade.
Há dois tipos de mestres. O mestre que ensina técnicas que de algum modo são boas para todas as pessoas. Realmente a maioria dos mestres são assim, especialmente os mestres dos colégios. No entanto, este mestre de meditação é diferente no sentido de que a meditação é o que vejo em minha vida. Eu conheço minha vida, mas nunca pude saber se o que é bom para minha vida é bom para as outras pessoas. O mestre de meditação só sabe o que é bom para si mesmo, mas não sabe se é bom para todos. Portanto, espero que o é bom para mim o seja para todos os outros, mas nunca posso estar seguro disso. É por isso que, em meditação, nunca forçamos ninguém a fazer algo, simplesmente sugerimos e se lhes parece bom, o fazem. Mas as pessoas não o fazem sob a própria responsabilidade. De outro modo, os outros tipos de mestres que ensinam o que é bom para as outras pessoas, devem ter bastante experiência para conhecer as pessoas e o que é bom para elas. Esta é a diferença entre os dois tipos de mestres. Mas a maioria dos mestres são do segundo tipo, quero dizer, mestres que ensinam coisas boas para todos.
Nos ditos de Ki se faz menção à unificação de mente e corpo. O que se deduz é que todas as pessoas têm um grande poder que nem sempre está disponível. Poderia explicar um pouco mais o que quer dizer com poder? Para muitas pessoas, as turmas de Ki todavia se relacionam com pessoas saudáveis e com artes marciais. Poderia dar-me alguns exemplos de pessoas comuns ou pessoas mais destacadas que não têm habilidades físicas especiais?
É muito difícil, na realidade. Há um problema com a tradução. Este poder significa a habilidade para criar mudanças na vida. Por exemplo, se você está doente e cura a si mesmo, uma pessoa doente se converte em uma pessoa saudável, isto é poder. Ou se você tem um grande problema e o soluciona, isto é poder. Se todos estão nervosos e você está calmo e sereno, isto é poder. Deste modo, qualquer coisa que provoque mudanças na vida é poder. Portanto, entendendo os princípios da mente e entendendo os princípios do corpo você pode criar maiores mudanças na vida. Isto significa que você tem mais poder, este é o significado. Por isso você precisa entender o princípio de unificação da mente e do corpo.
Também já fiz esta pergunta ao senhor porque no livro “Ki na vida diária”, de Koichi Tohei sensei, o que mais surpreende a todos é uma fotografia sua: seus calcanhares em uma cadeira, a cabeça em outra e três pessoas sentadas em seu abdômen. Isso é muito próximo da magia, para muitas pessoas. Mas, do mesmo modo, também sugere algum poder físico. Por que se utiliza esse tipo de exemplo no livro?
Na realidade não sou eu, é um livro de Tohei sensei. Há duas coisas. Desde que ele começou com o Aikidô, ele tinha experiências com pessoas que praticavam Aikidô, isso significa que eram pessoas que não estavam interessadas em exercícios intelectuais. Deste modo, com gente desse tipo é fácil utilizar exemplos físicos. E também a cultura japonesa não aprecia a lógica com as palavras, muito mais a ação com o corpo. Desse modo, se você quer alcançar o japonês é melhor expressar-se com um corpo potente e não tanto com uma mente poderosa ou uma palavra poderosa. É uma questão cultural. Compreendo muito bem que esse método não é bom para os europeus.
Poderia dar um exemplo claro de ensinamento de Ki para os homens e mulheres europeus?
Os japoneses de uma solução para o problema de ensinar. Eles simplesmente expulsam os pensamentos e fazem algo fisicamente. Assim, de certo modo essa é a tradição japonesa: é por isso que eles propõem métodos físicos. Os europeus tratam de seguir pensando e resolvendo com os pensamentos; é por isso que eu acredito que é melhor para os europeus utilizar palavras e explicar muito bem as coisas. Além disso, creio que é bom para os europeus, porque devem ter uma solução com as palavras, não apreciam expulsar de si os pensamentos.
O senhor também começou, tempos atrás, com a prática de Ki. Poderia dar-me uma idéia o que pensou sobre como isso influenciaria sua vida diária?
Em minha vida diária nada porque eu comecei, digamos, por curiosidade, porque era mais como uma busca. Para mim é como fazer uma investigação científica. Eu investigo para a vida.
O senhor gosta de seu trabalho?
Sim, sim.
Quando o senhor ensina KI-Aikidô muitas vezes utiliza o conceito de gravidade para explicar e guiar o movimento. Poderia explicar porque a gravidade é tão importante para todos nós?
A gravidade não é importante. Só quando se faz técnicas de Aikidô é importante. No entanto, mesmo para pessoas que não praticam Aikidô, é importante entender a gravidade. Muita gente tem um conceito equivocado da gravidade, e com esse conceito equivocado criam erros na vida diária. Essa é a única razão porque ensino esse “manter o peso embaixo” nas turmas de Ki, para as pessoas que não praticam Aikidô. Para as técnicas de Aikidô está claro que é muito importante.
Isso é tudo. Muito obrigado, sensei.
(Entrevista realizada por Aragonen Holanda, em 1996)
Ki-Aikido (Shinshin Toitsu Aikido) - Shinshin Toitsudo - CO.R.PO - Consciência Respiratória e Postural R. Nilo Peçanha, 2511 - São Lourenço - Curitiba - Paraná
quarta-feira, julho 05, 2006
Entrevista com Koichi Kashiwaya sensei (segunda parte)
(continuação – parte 2)
Na época Tohei Sensei também mantinha uma turma de Ki no Yoyogi Olmpic Center. Não era uma turma muito grande, cerca de 14 membros, altos executivos ou pessoas do tipo, em sua maioria. Não eram praticantes de Aikido nem de outros grupos de Aikikai. Mais tarde, fiquei sabendo que Tohei Sensei havia dito a Kisshomanu (Ueshiba) Sensei que ele gostaria de ensinar Ki no Aikikai, mas que as aulas seriam fora do Aikikai. Assim, eu era o único colegial a estar ali. E como era o mais jovem, senti que deveria ajudar. Chegava lá meia hora mais cedo e ajudava Tohei a arrumar tudo. Eu não desempenhava o papel de otomo, nada disso, só queria ser útil. A partir daí, Tohei Sensei passou a me reconhecer, pois eu chegava mais cedo e era o mais jovem de todos.
Ocasionalmente, ele me pedia para mostrar alguns dos arremessos do Aikido e como eu era o único com treinamento em Aikido ele me arremessava. Foi naquela época em que eu, pela primeira vez, treinei ukemi com ele.
Gradualmente, a Ki Society acrescentou mais turmas, e pessoas mais jovens começaram a chegar do Aikido – a maioria do Aikikai e alguns do Yoshinkan. A maioria dessas pessoas não tinha qualquer tipo de ligação com qualquer professor do Aikikai. De minha parte, sem ter muitos vínculos com o Aikikai, costumava freqüentar, de todo o jeito, para praticar e participar das aulas de Kisshomaru Sensei e outras aulas de instrutores seniores. Eu não me sentia na obrigação de seguir apenas Tohei Sensei. E as coisas aconteceram desse jeito.
.
AW: O senhor acredita que a ruptura de Tohei Sensei com o Aikikai foi inevitável?
KK: Para mim, isso está feito e é fato consumado. Tohei não costumava puxar conversa sobre isso. É claro que toda a vez que há mais de duas pessoas reunidas, você tem um evento político. É da natureza humana. Eu não posso evitar a política, por suposto, mas também não gosto muito de ouvir a respeito. Para mim, torna-se uma espécie de violência se houver exagero. Creio que somos uma espécie de "caixa de ressonância" (risos) Todo o tipo de deshi (aprendiz) tem que ouvir qualquer coisa que o professor disser. É parte do nosso dever. Assim para mim, se Tohei Sensei tivesse alguma coisa para me dizer, minha obrigação era somente ficar ali e ouvir.
AW: Quando o senhor veio aos Estados Unidos?
KK: Tohei Sensei me pediu para ir a Seattle em 1973 por dois anos para ajudar o instrutor chefe Yoshihiko Hirata Sensei. Depois de dois anos, ele me perguntou se eu queria ficar nos Estados Unidos ou voltar ao Japão e tornar-me seu Uchideshi. Eu regressei ao Japão para o treinamento de Uchideshi por dois anos. Após esses dois anos, pedi para voltar aos Estados Unidos. Ele atendeu e sugeriu que eu fosse a Boston ou Chicago. Eu achava que qualquer lugar para mim estaria ótimo, com exceção daqueles lugares em que ele já havia estado (risos).
O que quero dizer é que se eu fosse aonde Tohei Sensei já havia estado, não seria bom, porque sua influência já estaria lá. As pessoas que tinham treinado com ele o veriam como professor e eu não queria interferir. Mas, Tohei Sensei não podia ir a todas as partes e conclui que minha missão era ir aonde ele não havia estado. Assim, talvez, eu pudesse ser um tipo de agente de Tohei Sensei.
Eu conhecia um instrutor de Judô em Boulder, Colorado, que havia estudado com Tohei Sensei. Eu o contatei e ele disse: "Claro, venha para cá". Foi assim que eu cheguei a Boulder em 1977.
AW: Como foi iniciar o Aikido em Boulder?
KK: Por sorte, já havia lá um dojo de jujutsu e judô que eu podia usar. Mas eu não queria tirar seus estudantes. Comecei com apenas uma pessoa. E também havia a limitação que eu não poderia manter muitas aulas porque eles usavam o dojo a maior parte do tempo. Eu tinha os domingos e as primeiras horas da manhã algumas vezes por semana. E era tudo . Então, alguns dos estudantes de judo e jujutso começaram a vir também. Eu conversei com seus instrutores e disse que não queria tirar seus alunos, mas eles disseram "Não, não, tudo bem. Eles gostam das suas aulas. Eles realmente parecem estar gostando do que você faz". E, no fim, quase metade das turmas de jujutsu e de judô ingressaram na minha turma.
As turmas foram ficando cada vez maiores e eu não queria ter nenhum tipo de conflito com os outros professores. Percebi que já tinha alunos suficientes para me mudar. O local de judô e jujutso agora é um supermercado, o edifício foi reconstruído, mas onde eu dava aulas talvez até seja hoje a seção de carnes ou algo assim (risos)
AW: O senhor mencionou que Tohei Sensei o ajudou a compreender o significado de ser humano?.
KK: Certo, certo. Ele mostrou as coisas fundamentais: polidez com os demais, respeito, como ver os outros. Antes disso, eu estava preocupado somente em aprender como derrubar as pessoas. Como instrutor, eu acreditava que era isso que as pessoas vinham aprender, mas estava totalmente errado a respeito. .Como Tohei Sensei martelava nesse ponto o tempo todo, parecia que tudo que eu fazia estava errado, e – você sabe – estava errado. Em geral, era a forma que eu pensava sobre mim mesmo que estava totalmente errada. Ele realmente ajudou a construir as bases de quem eu sou , mais do que me ensinar as técnicas Eu fui somente um uchideshi durante dois anos mas eu aprendi muito sobre as bases do Aikido naquela época.
AW: Na sua opinião, qual é o objetivo do Shin Shin Toitsu Aikido?
KK : Eu gosto de ensinar o lado técnico do Aikido. Mas Tohei Sensei disse que a Ki Societe foi criada para fazer da sociedade um lugar melhor. E, por um lado, recebei essa missão quando comecei a ensinar. Quero que meus estudantes façam o melhor, primeiro no tatame. Porém, é possível que as pessoas não captem nada extra, fora das técnicas a partir das quais eu ensino. Mas, se existe algo "certo" a esse respeito – mesmo se apenas uma pessoa compreender isso, ficarei feliz
AW: Muita gente acha que o Taigi na Ki Society é competição e que isso não é bom no Aikido. O que o senhor diria sobre o papel da competição Taigi na Ki Society?
KK: Meu entendimento pessoal é de que o Taigi não foi criado originalmente como competição Tohei Sensei concebeu esse formato como um presente para seus instrutores, para que eles não se "ralassemm" durante uma demonstração.
Na época, a maioria dos estudantes era bastante jovem e ia ao treinamento como quem vai a um campo de treinos militares. Nós aprendemos muito de Tohei Sensei em um curto período de tempo e nos tornamos capazes de fazer as técnicas bastante bem, uma por uma. Mas, em uma situação de demonstração, como a seqüência das técnicas não estavam muito bem "digeridas", tornava-se difícil. Tohei Sensei nos deu uma ferramenta - o taigi – para que a usássemos como uma espécie de guia, para que não nos sentíssemos perdidos. Com esse repertório sob nosso cinto, nos sentiríamos mais confortáveis dando uma demonstração.
As pessoas às quais ele ensinava eram muito apegadas em treinar com ele. Nõs compreendíamos os aspectos básicos bastante bem com ele. Tínhamos a condição de vê-lo fazendo aquelas técnicas em demonstrações e começamos a perceber padrões no que ele fazia. Ele oficializou essas formas um pouco mais tarde. Mais tarde, ele observou seus estudantes cuidadosamente e percebeu que eles não estavam fazendo as formas corretamente. Por isso, é que ele trouxe a idéia de competição para que possamos aperfeiçoar o que estamos fazendo de forma que não fiquemos todos completamente iguais.
Há muito tempo, companhias, como a Honda, ficavam contentes em fazer veículos de passeio para pessoas como eu e você dirigir. Mas, então, elas começaram a introduzir carros de corrida para a Fórmula Um. Isso não foi devido ao desejo delas de tornar seus veículos de passeio capazes de correr em uma velocidade de 200 milhar por hora pela cidade. A intenção, era usar as pistas de corrida como uma espécie de laboratório para criar tecnologias melhores que seriam aplicadas aos veículos de passeio para torná-los mais seguros, mais eficientes e mais ecológicos.
De certo modo, a competição taigi é como as pistas de corrida da Fórmula Um. Os estudantes não estão lá apenas para "vencer" a competição, mas para usá-la como um meio .de aperfeiçoar ainda mais sua técnica Tohei Sensei sempre prestou muita atenção no modo como as pessoas competiam - no que estava funcionando e no que não estava.
A prática superficial nos mostra as pessoas aplicando somente a forma técnica. Mas, através do taigi, as pessoas podem refinar a coordenação corpo e mente.
O que acontece no Taigi não são necessariamente golpes "de rua". Tohei Sensei costuma mostrar esse tipo de coisas – técnicas de prisão ou como lidar com uma pessoa muito agressiva. Isso não é necessariamente o que temos que ensinar, mas para que saibamos, no caso em que tenhamos que ensinar. Nós, como professores, temos que estar preparados para lidar como uma ampla gama de alunos, com diferentes formações. Eu posso ter que ensinar um policial ou um agente prisional. Mas não aquilo, eu penso, que seja necessário ser ensinado a qualquer um. Um policial tem necessidades de aprender coisas que um cidadão comum não tem. Um guarda prisional pode ter restrições no que ele pode fazer, então a ele pode ser ensinado algo diferente.
Em práticas normais, não é necessário focalizar em nenhum modo especial. A prática normal é direcionada, principalmente, para a coordenação de corpo e mente. Mas, há diferenças entre ensinar, digamos, um jogador de baseball e um lutador de sumo. Ensinar esse tipo de pessoas, era para Tohei Sensei uma espécie de hobby pessoal. (risos) Ele não estava ensinando baseball a um jogador de baseball ou sumo a um lutador de sumô. Quando ele tinha tempo e eles lhe fizessem perguntas, ele ensinava a coordenação corpo-mente.
AW: Onde o senhor gostaria de ver a Ki Society daqui a 20 anos?
KK: Oh! Eu espero viver até lá! (risos) .Para enxergar tão à frente, eu teria que voltar 20 anos. Em 1980, ainda era um tempo confuso para a Ki Society. Nõs ainda estávamos tentando nos organizar como instituição. Na verdade, a Ki Society ainda não tinha dez anos naquele tempo, ainda era jovem para uma organização e muitas coisas ainda precisavam ser feitas.
Vinte anos atrás, a Ki Society nos Estados Unidos ainda sofria muita pressão da Aikikai e teve que ficar, de certa forma, na defensiva. De vinte anos para cá, ninguém no Aikido quer dominar, mas coexistir – não misturar. Temos que continuar, cada um com seu estilo. Pelo menos, essa é minha idéia geral sobre qualquer coisa. Por exemplo, se os americanos tentarem misturar a tradição japonesa com o que existe aqui vai ficar confuso, até mal-entendido.
Se os americanos puderem apreciar as raízes da tradição japonesa, mas compreender que há linguagens separadas, daí a gente pode coexistir e comunicar-se. Eu gostaria que com a Ki Society fosse assim. Quem sabe, a gente não vá misturar com qualquer outro estilo, mas sentir-se confortável com nosso próprio estilo, de modo que nos possamos comunicar.
Vinte anos depois – agora - posso ver que nós, definitivamente, temos uma organização muito melhor. .
Se Deus quiser, a Ki Society continuará a melhorar nos próximos vinte anos, em toda a organização da Ki Society, temos apenas algumas milhares de pessoas, nos Estados Unidos. Ainda não é uma grande organização. É muito difícil predizer para os próximos vinte anos. Mas eu penso que embora não fique muito "visivel" para o público, ate lá, irá se integrar bem à sociedade.
A Ki Society agora tem uma mudança de geração acontecendo, também. Todos os instrutores seniores estão envelhecendo. Então, naturalmente, nos próximos vinte anos haverá uma nova geração de instrutores. Por isso, eu acho que as pessoas da nova geração precisam de coisas mais "práticas" do que a geração mais velha. Eu entendo bem a forma pela qual Tohei Sensei fala, mas talvez sua linguagem esteja um pouco antiga para as gerações mais novas. Acredito que a geração de Tohei Sensei tinha alguns ideais em mente e foi em busca deles.. Nós valorizamos todos esse esforço , mas também temos que aplicar seu Ki à nova geração. Penso que isso terá que acontecer porque as gerações estão mudando.
AW: Muito obrigado, Sensei, pela sua atenção
KK: Obrigado.
(tradução Noemi Osna)
Na época Tohei Sensei também mantinha uma turma de Ki no Yoyogi Olmpic Center. Não era uma turma muito grande, cerca de 14 membros, altos executivos ou pessoas do tipo, em sua maioria. Não eram praticantes de Aikido nem de outros grupos de Aikikai. Mais tarde, fiquei sabendo que Tohei Sensei havia dito a Kisshomanu (Ueshiba) Sensei que ele gostaria de ensinar Ki no Aikikai, mas que as aulas seriam fora do Aikikai. Assim, eu era o único colegial a estar ali. E como era o mais jovem, senti que deveria ajudar. Chegava lá meia hora mais cedo e ajudava Tohei a arrumar tudo. Eu não desempenhava o papel de otomo, nada disso, só queria ser útil. A partir daí, Tohei Sensei passou a me reconhecer, pois eu chegava mais cedo e era o mais jovem de todos.
Ocasionalmente, ele me pedia para mostrar alguns dos arremessos do Aikido e como eu era o único com treinamento em Aikido ele me arremessava. Foi naquela época em que eu, pela primeira vez, treinei ukemi com ele.
Gradualmente, a Ki Society acrescentou mais turmas, e pessoas mais jovens começaram a chegar do Aikido – a maioria do Aikikai e alguns do Yoshinkan. A maioria dessas pessoas não tinha qualquer tipo de ligação com qualquer professor do Aikikai. De minha parte, sem ter muitos vínculos com o Aikikai, costumava freqüentar, de todo o jeito, para praticar e participar das aulas de Kisshomaru Sensei e outras aulas de instrutores seniores. Eu não me sentia na obrigação de seguir apenas Tohei Sensei. E as coisas aconteceram desse jeito.
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AW: O senhor acredita que a ruptura de Tohei Sensei com o Aikikai foi inevitável?
KK: Para mim, isso está feito e é fato consumado. Tohei não costumava puxar conversa sobre isso. É claro que toda a vez que há mais de duas pessoas reunidas, você tem um evento político. É da natureza humana. Eu não posso evitar a política, por suposto, mas também não gosto muito de ouvir a respeito. Para mim, torna-se uma espécie de violência se houver exagero. Creio que somos uma espécie de "caixa de ressonância" (risos) Todo o tipo de deshi (aprendiz) tem que ouvir qualquer coisa que o professor disser. É parte do nosso dever. Assim para mim, se Tohei Sensei tivesse alguma coisa para me dizer, minha obrigação era somente ficar ali e ouvir.
AW: Quando o senhor veio aos Estados Unidos?
KK: Tohei Sensei me pediu para ir a Seattle em 1973 por dois anos para ajudar o instrutor chefe Yoshihiko Hirata Sensei. Depois de dois anos, ele me perguntou se eu queria ficar nos Estados Unidos ou voltar ao Japão e tornar-me seu Uchideshi. Eu regressei ao Japão para o treinamento de Uchideshi por dois anos. Após esses dois anos, pedi para voltar aos Estados Unidos. Ele atendeu e sugeriu que eu fosse a Boston ou Chicago. Eu achava que qualquer lugar para mim estaria ótimo, com exceção daqueles lugares em que ele já havia estado (risos).
O que quero dizer é que se eu fosse aonde Tohei Sensei já havia estado, não seria bom, porque sua influência já estaria lá. As pessoas que tinham treinado com ele o veriam como professor e eu não queria interferir. Mas, Tohei Sensei não podia ir a todas as partes e conclui que minha missão era ir aonde ele não havia estado. Assim, talvez, eu pudesse ser um tipo de agente de Tohei Sensei.
Eu conhecia um instrutor de Judô em Boulder, Colorado, que havia estudado com Tohei Sensei. Eu o contatei e ele disse: "Claro, venha para cá". Foi assim que eu cheguei a Boulder em 1977.
AW: Como foi iniciar o Aikido em Boulder?
KK: Por sorte, já havia lá um dojo de jujutsu e judô que eu podia usar. Mas eu não queria tirar seus estudantes. Comecei com apenas uma pessoa. E também havia a limitação que eu não poderia manter muitas aulas porque eles usavam o dojo a maior parte do tempo. Eu tinha os domingos e as primeiras horas da manhã algumas vezes por semana. E era tudo . Então, alguns dos estudantes de judo e jujutso começaram a vir também. Eu conversei com seus instrutores e disse que não queria tirar seus alunos, mas eles disseram "Não, não, tudo bem. Eles gostam das suas aulas. Eles realmente parecem estar gostando do que você faz". E, no fim, quase metade das turmas de jujutsu e de judô ingressaram na minha turma.
As turmas foram ficando cada vez maiores e eu não queria ter nenhum tipo de conflito com os outros professores. Percebi que já tinha alunos suficientes para me mudar. O local de judô e jujutso agora é um supermercado, o edifício foi reconstruído, mas onde eu dava aulas talvez até seja hoje a seção de carnes ou algo assim (risos)
AW: O senhor mencionou que Tohei Sensei o ajudou a compreender o significado de ser humano?.
KK: Certo, certo. Ele mostrou as coisas fundamentais: polidez com os demais, respeito, como ver os outros. Antes disso, eu estava preocupado somente em aprender como derrubar as pessoas. Como instrutor, eu acreditava que era isso que as pessoas vinham aprender, mas estava totalmente errado a respeito. .Como Tohei Sensei martelava nesse ponto o tempo todo, parecia que tudo que eu fazia estava errado, e – você sabe – estava errado. Em geral, era a forma que eu pensava sobre mim mesmo que estava totalmente errada. Ele realmente ajudou a construir as bases de quem eu sou , mais do que me ensinar as técnicas Eu fui somente um uchideshi durante dois anos mas eu aprendi muito sobre as bases do Aikido naquela época.
AW: Na sua opinião, qual é o objetivo do Shin Shin Toitsu Aikido?
KK : Eu gosto de ensinar o lado técnico do Aikido. Mas Tohei Sensei disse que a Ki Societe foi criada para fazer da sociedade um lugar melhor. E, por um lado, recebei essa missão quando comecei a ensinar. Quero que meus estudantes façam o melhor, primeiro no tatame. Porém, é possível que as pessoas não captem nada extra, fora das técnicas a partir das quais eu ensino. Mas, se existe algo "certo" a esse respeito – mesmo se apenas uma pessoa compreender isso, ficarei feliz
AW: Muita gente acha que o Taigi na Ki Society é competição e que isso não é bom no Aikido. O que o senhor diria sobre o papel da competição Taigi na Ki Society?
KK: Meu entendimento pessoal é de que o Taigi não foi criado originalmente como competição Tohei Sensei concebeu esse formato como um presente para seus instrutores, para que eles não se "ralassemm" durante uma demonstração.
Na época, a maioria dos estudantes era bastante jovem e ia ao treinamento como quem vai a um campo de treinos militares. Nós aprendemos muito de Tohei Sensei em um curto período de tempo e nos tornamos capazes de fazer as técnicas bastante bem, uma por uma. Mas, em uma situação de demonstração, como a seqüência das técnicas não estavam muito bem "digeridas", tornava-se difícil. Tohei Sensei nos deu uma ferramenta - o taigi – para que a usássemos como uma espécie de guia, para que não nos sentíssemos perdidos. Com esse repertório sob nosso cinto, nos sentiríamos mais confortáveis dando uma demonstração.
As pessoas às quais ele ensinava eram muito apegadas em treinar com ele. Nõs compreendíamos os aspectos básicos bastante bem com ele. Tínhamos a condição de vê-lo fazendo aquelas técnicas em demonstrações e começamos a perceber padrões no que ele fazia. Ele oficializou essas formas um pouco mais tarde. Mais tarde, ele observou seus estudantes cuidadosamente e percebeu que eles não estavam fazendo as formas corretamente. Por isso, é que ele trouxe a idéia de competição para que possamos aperfeiçoar o que estamos fazendo de forma que não fiquemos todos completamente iguais.
Há muito tempo, companhias, como a Honda, ficavam contentes em fazer veículos de passeio para pessoas como eu e você dirigir. Mas, então, elas começaram a introduzir carros de corrida para a Fórmula Um. Isso não foi devido ao desejo delas de tornar seus veículos de passeio capazes de correr em uma velocidade de 200 milhar por hora pela cidade. A intenção, era usar as pistas de corrida como uma espécie de laboratório para criar tecnologias melhores que seriam aplicadas aos veículos de passeio para torná-los mais seguros, mais eficientes e mais ecológicos.
De certo modo, a competição taigi é como as pistas de corrida da Fórmula Um. Os estudantes não estão lá apenas para "vencer" a competição, mas para usá-la como um meio .de aperfeiçoar ainda mais sua técnica Tohei Sensei sempre prestou muita atenção no modo como as pessoas competiam - no que estava funcionando e no que não estava.
A prática superficial nos mostra as pessoas aplicando somente a forma técnica. Mas, através do taigi, as pessoas podem refinar a coordenação corpo e mente.
O que acontece no Taigi não são necessariamente golpes "de rua". Tohei Sensei costuma mostrar esse tipo de coisas – técnicas de prisão ou como lidar com uma pessoa muito agressiva. Isso não é necessariamente o que temos que ensinar, mas para que saibamos, no caso em que tenhamos que ensinar. Nós, como professores, temos que estar preparados para lidar como uma ampla gama de alunos, com diferentes formações. Eu posso ter que ensinar um policial ou um agente prisional. Mas não aquilo, eu penso, que seja necessário ser ensinado a qualquer um. Um policial tem necessidades de aprender coisas que um cidadão comum não tem. Um guarda prisional pode ter restrições no que ele pode fazer, então a ele pode ser ensinado algo diferente.
Em práticas normais, não é necessário focalizar em nenhum modo especial. A prática normal é direcionada, principalmente, para a coordenação de corpo e mente. Mas, há diferenças entre ensinar, digamos, um jogador de baseball e um lutador de sumo. Ensinar esse tipo de pessoas, era para Tohei Sensei uma espécie de hobby pessoal. (risos) Ele não estava ensinando baseball a um jogador de baseball ou sumo a um lutador de sumô. Quando ele tinha tempo e eles lhe fizessem perguntas, ele ensinava a coordenação corpo-mente.
AW: Onde o senhor gostaria de ver a Ki Society daqui a 20 anos?
KK: Oh! Eu espero viver até lá! (risos) .Para enxergar tão à frente, eu teria que voltar 20 anos. Em 1980, ainda era um tempo confuso para a Ki Society. Nõs ainda estávamos tentando nos organizar como instituição. Na verdade, a Ki Society ainda não tinha dez anos naquele tempo, ainda era jovem para uma organização e muitas coisas ainda precisavam ser feitas.
Vinte anos atrás, a Ki Society nos Estados Unidos ainda sofria muita pressão da Aikikai e teve que ficar, de certa forma, na defensiva. De vinte anos para cá, ninguém no Aikido quer dominar, mas coexistir – não misturar. Temos que continuar, cada um com seu estilo. Pelo menos, essa é minha idéia geral sobre qualquer coisa. Por exemplo, se os americanos tentarem misturar a tradição japonesa com o que existe aqui vai ficar confuso, até mal-entendido.
Se os americanos puderem apreciar as raízes da tradição japonesa, mas compreender que há linguagens separadas, daí a gente pode coexistir e comunicar-se. Eu gostaria que com a Ki Society fosse assim. Quem sabe, a gente não vá misturar com qualquer outro estilo, mas sentir-se confortável com nosso próprio estilo, de modo que nos possamos comunicar.
Vinte anos depois – agora - posso ver que nós, definitivamente, temos uma organização muito melhor. .
Se Deus quiser, a Ki Society continuará a melhorar nos próximos vinte anos, em toda a organização da Ki Society, temos apenas algumas milhares de pessoas, nos Estados Unidos. Ainda não é uma grande organização. É muito difícil predizer para os próximos vinte anos. Mas eu penso que embora não fique muito "visivel" para o público, ate lá, irá se integrar bem à sociedade.
A Ki Society agora tem uma mudança de geração acontecendo, também. Todos os instrutores seniores estão envelhecendo. Então, naturalmente, nos próximos vinte anos haverá uma nova geração de instrutores. Por isso, eu acho que as pessoas da nova geração precisam de coisas mais "práticas" do que a geração mais velha. Eu entendo bem a forma pela qual Tohei Sensei fala, mas talvez sua linguagem esteja um pouco antiga para as gerações mais novas. Acredito que a geração de Tohei Sensei tinha alguns ideais em mente e foi em busca deles.. Nós valorizamos todos esse esforço , mas também temos que aplicar seu Ki à nova geração. Penso que isso terá que acontecer porque as gerações estão mudando.
AW: Muito obrigado, Sensei, pela sua atenção
KK: Obrigado.
(tradução Noemi Osna)
sexta-feira, junho 30, 2006
Entrevista com Koichi Kashiwaya sensei
Koichi Kashiwaya Sensei iniciou o treinamento de Aikido em 1969 na Universidade Risshou, em Tóquio, no Japão..Começou a treinar com Koichi Tohei em 1970 e a lecionar nos Estados Unidos, em 1971, na Seattle Ki Society, onde ficou por quatro anos, retornando em 1977 para fundar a Rocky Mountain Ki Socieyt, em Boulder, Colorado. Foi indicado como Instrutor Chefe da Ki Society dos Estados Unidos por Tohei Sensei em 1983. Ele possui agora o 8º. Dan em Shin Shin Toitsu Aikido, o Okuden em Treinamento Ki, um cargo de professor na Ki Society International, e é juiz da International Taigi Competition .
(trad. Noemi Osna)
AW: Em que circunstâncias o senhor começou o Aikido?
KK: Eu estava no colégio e havia treinado como atleta, principalmente nas modalidades de corrida, correndo distâncias curtas. Naquele tempo, eu não estava muito interessado em artes marciais. Estava mais interessado em atividades atléticas que me indicassem como usar o corpo de forma mais eficiente para que eu pudesse correr melhor. Na verdade, eu não estudei no colégio. De certa modo, eu apenas passei pelo colégio. (risos)
Permaneci um ano em uma classe intermediária entre o colegial e a universidade. Estava pensando em estudar engenharia elétrica. Eu gostava da idéia e do conceito de engenharia elétrica, mas havia esquecido que você tem que estudar de verdade muita Matemática e Inglês. Eu gostava de Física, porém mais dos aspectos teóricos do que dos cálculos. Não dou muita bola para fórmulas, mas gosto das idéias e dos conceitos da Física desde jovem. Talvez, tenha sido por isso que eu quis ir para a Escola de Engenharia Elétrica.
Como eu estava em uma classe preparatória, naquele ano, eu quase não pude treinar atletismo e por causa disso nunca mais pude correr muito bem. Então, pensei em fazer algo que não prejudicasse meus estudos e me deixasse alguma energia depois do treino. Então, no dia da matrícula, o Kendo Club me encontrou e me fez preencher uma ficha com meu nome e número, tencionando incluir-me no seu grupo. Eu teria que encontrá-los mais tarde no campus com aquela ficha. Mas aconteceu que entrei na sala errada (risos) Vi algumas pessoas usando hakama e entrei naquela sala. Obviamente, algumas pessoas vieram até mim perguntando o que eu desejava. A essas alturas, eu já sabia que aquelas pessoas não eram do Kendo, e sim do Aikido. Como eu já havia entrado, não quis ser grosseiro e fiquei para assistir.
Até aquele momento, eu ainda não desejava participar da arte do Aikido, mas senti que a atmosfera do treinamento era muito agradável. E gostei daquilo. Não posso dizer que era algo amistoso. O treinamento de artes marciais no Colégio nunca é amistoso no Japão. Porém, percebi que aquelas pessoas estavam dando, umas às outras, um pouco de espaço. As pessoas do Kendo nunca me deram muito espaço. "Você devem fazer isso", "Você tem que ir ali". Acho que a maior parte das artes marciais é conduzida assim, em estilo militar.
As pessoas da nossa universidade eram diferentes. Eu não sei se elas estavam seguras do que faziam ou se eram mais confiantes.Disse a elas que eu devia ir ao grupo de Kendo. Responderam que eu poderia ir, mas se quisesse, seria bem-vindo para ficar e assistir. Gostei daquilo, pois deu-me imediatamente um pouquinho de liberdade. Disse que gostaria de ficar. É claro que não sabia o que eles estavam fazendo. Nem mesmo lembro do que eles estavam fazendo, algum tipo de "pin". Mas gostei da sensação de liberdade. Eu tomava decisões assim algumas vezes, quando me pareciam acertadas. Mas estava preocupado com as pessoas do Kendo, também. Eu lhes disse que iria encontrá-las em seguida. Conversei e esclareci que já tinha pensado em participar do grupo de Kendo. Eles me disseram para não ficar preocupado que conversariam com o pessoal do kendô e tudo ficaria certo. E o pessoal do Kendo me disse que como eu estava praticando artes marciais não haveria problema.
AW. Então o senhor praticou Aikido durante o periodo colegial. Como foi isso?
KK. Sim, eu prossegui no Aikido durante o tempo do colégio. Bem, aquilo parecia muito mais com um cego guiando outro. Nosso grupo, na verdade,não sabia muito de Aikido, mas, com sorte, um instrutor de um dojo de Aikikai hombu aparecia uma vez por semana, e nos ensinava. Mas não tinhamos um "dojo" de verdade. A gente saia da Universidade e caminhava cerca de 30 minutos até esse outro dojo de Aikikai. Nosso grupo estava matriculado no Aikikai, então a gente treinava por conta todos os dias, mas o instrutor de aikikai só vinha uma vez por semana.
O que aprendÍamos com ele não era suficiente e era difícil entender o que ele nos ensinava. Então, tínhamos que tirar as próprias conclusões sobre como e o quê deveríamos treinar. Naquele tempo, eu era principiante e qualquer coisa que o sempai nos pedisse para fazer a gente fazia. Na verdade, a gente estava lutando boxe.. Não sabíamos que Aikido não tinha luta. Às vezes, colocávamos luvas de boxe e realmente tentávamos socar para ver se poderíamos atingir uns aos outros. Foi assim que quebrei meu nariz...
AW: O treinamento era intenso?
KK. Eu não achava o treinamento físico, em si , tão intenso porque eu era o mais atleta de todos. No entanto, o seiza era difícil, pois eu não fazia seiza no atletismo. Todo o resto eu conseguia levar. O primeiro ano de treinamento de Aikido nas universidades japonesas é basicamente de uke. Nós nunca tentamos derrubar ninguém, Eu poderia cair e levantar muitas, muitas vezes sem cansar e meus sempai gostavam daquilo! Eles me davam muita atenção, mas essa atenção também me rendeu um nariz quebrado e dois deslocamentos de ombros...Quanto mais eles gostavam de me usar, tanto mais eu apanhava! Algumas vezes, eles até faziam shinai para ver se eu conseguia desviar. Mas eles eram meus sempai e eu não podia fazer nada a respeito, é claro.
Mais tarde, descobri que aquilo não era Aikido de verdade, mas no início eu não sabia de nada. Depois da aula a gente saia – praticamente depois de todas as aulas – e os sempai nos proporcionavam kohai de forma muito gentil. Eu gostava daquele ambiente. Quem sabe, o Aikido estivesse ajudando aqueles sempai a ser daquele jeito fora do dojo... Embora a gente não estivesse entendendo o lado da técnica muito bem, talvez estivéssemos, por outro lado, aprendendo o aspecto filosófico do Aikido.
Todos nós guardamos alguma coisa em nosso espírito do treinamento que fizemos. Acho que aquilo, para mim, foi uma boa introdução ao Aikido. Provavelmente, se na época eu tivesse encontrado os métodos convencionais de aikido, logo teria largado. Teria sido muito insatisfatório. Nosso clube fazia um monte de coisas malucas, como , por exemplo, lutar boxe. Eu não gostava de ser socado, mas a loucura, para mim, era prazerosa. Eu não ficava muito cansado depois e ainda sobrava energia para estudar.
AW. Quando é que o senhor começou a freqüentar o Dojo Aikikai Hombu?
KK: O grupo estava matriculado no Aikikai, e eu tinha o privilègio de mandar um certo número de membros para o dojo hombu toda a semana. Claro, que nossos sempai tinham primazia , mas às vezes um sempai decidia não ir e escolhia um de nós para ir em seu lugar e treinar no dojo hombu.
AW: Lá, o treinamento era diferente?
KK: Era muito mais suave do que o que a gente vinha fazendo. Surpreendentemente, muito mais suave! (risos). Eu pensei: "Oh! Treinar Aikikai é muito bom! Eles são tão gentis. Pois, você não tem que matar o seu oponente"^
Assim mesmo, eu ainda não entendia o que eles faziam. Mas eu, finalmente, consegui entender algumas das instruções de rankings superiores fazendo Aikido. Mas, aquilo ainda me parecia muito distante. Observando aquelas pessoas de ranking mais elevando, ainda me parecia um tanto fraudulento e suave. Mas eu respeitava aquilo.
Íamos ao Aikikai para respirar aquela atmosfera dos treinamentos. Mas, logo que a gente voltou para a universidade, retomamos o estilo rude da luta de keiko. Se me lembro corretamente, fazia um ano que eu estava treinando quando fui ver Tohei Sensei.
AW: O senhor lembra da primeira aula com Tohei Sensei?
KK. Me lembro da primeira aula. A primeira impressão do Tohei Sensei não foi muito marcante. Por um lado, ele possuía um grau superior à maioria dos instrutores de Aikikai, e também sabíamos que era muito conceituado por outros instrutores. Mas, por outro lado, eu sabia que havia algum tipo de conflito político entre eles. Naquele tempo, já aconteciam coisas do tipo: "Você não deve ir a tal e tal aula se estiver treinando na classe dessa pessoa"
Até aquele período, eu treinava com muitos instrutores diferentes no dojo hombu. Tão logo passei a freqüentar as aulas de Tohei Sensei, tudo começou a mudar. Comecei a sentir pressão de parte de alguns instrutores, basicamente que eu não era mais bem-vindo a suas classes. Agora, isso era só por parte de alguns instrutores, não da maioria deles. Mas alguns deles me fizeram passar por maus momentos por estar lá. Embora eu não fosse alguém importante ali, comecei a sentir que já não era mais bem-vindo. Eu não contei a ninguém que estava freqüentando as classes de Tohei Sensei, mas creio que eles andaram monitorando um simples colegial como eu.
AW: Naquele tempo, o senhor gostava das classes de Tohei Sensei?
KK. Naquele tempo, eu gostava das lições de qualquer um. Não apenas de Tohei Sensei. Novamente, todos aqueles instrutores tinham uma existência muito distanciada para mim. Se O-sensei fosse Deus, então Tohei sensei devia ser considerado o Papa ou algo assim que estivesse muito lá em cima. (risos) Obviamente, eu não tinha nenhuma ligação com ele, pois era apenas mais um shodan entre muitos. Na verdade, eu não tinha uma percepção do tipo: "Eu gosto dos seus ensinamentos".
Não funciona assim no Japão, de todo o jeito, especialmente em um dojo hombu. Se você começa a dizer que gosta mais dos ensinamentos de alguém, pode ser banido por outros instrutores. É uma coisa muito política. Se você for esperto, não diz "Gosto disso", ou "Não aprecio aquele instrutor". Por isso , não me posicionei. Mas, aos poucos, comecei a freqüentar a classe de Tohei Sensei. Ele estava iniciando seu "Ki no Kenkyukai". Achei que aquele era, de certo modo, meu momento de decisão .
Meu sensei me chamou para informar que Tohei Sensei estaria iniciando uma classe de Ki fora do dojo hombu. Não entendi porque ele me chamou para dizer aquilo. Mas eu estava tendo aulas com Tohei Sensei e sentia alguma pressão por parte de outros por já fazer parte do grupo de Tohei Sensei. E a classe de Tohei Sensei soava interessante. Eu não estava no Aikido pelo aspecto marcial, mas para poder me mexer melhor. Também não estava muito interessando somente no Aikido, mas em algo um pouco maior. Só aprender como arremessar alguém não me interessava muito. Eu achava que havia uma resposta maior do que aquela.
Na época, eu estava um pouco confuso com questões sociais, e um tanto rebelde. Comecei a me fazer perguntas sobre o porque de estar aqui e para onde ir, para dar um pouco de significado à minha vida. O Aikido, naquele tempo, era só para manter a forma e conviver com as pessoas. Eu não tinha grandes expectativas a respeito , exceto como exercício físico. Porém, quando assisti às aulas de Tohei Sensei, eu agora posso perceber que ele estava ensinando e repassando algo mais para mim. Eu não sabia disso naquele momento.
Tohei Sensei possuia uma maravilhosa turma infantil. Fui convidado por outro instrutor para assistir uma das aulas. As crianças são muito menores e havia apenas alguns adultos assistindo. Ele veio até mim e perguntou se eu estava lá para assistir. "Sim, senhor". Ele disse "Porque você não participa?" Então, eu me alinhei com as crianças em uma posição de pé para fazer alguns testes de ki. Em suas aulas regulares de Aikido, ele não fazia qualquer tipo de teste de ki. Mas aquela era uma aula diferente das aulas normais para adultos, traziam mais pensamentos sobre mente e corpo. Eu estava sem entender! Por que ele está nos empurrando? Então ele chegou até mim e empurrou meu ombro. Eu não entendi o quê aquilo significava, e me movi. Então, Tohei Sensei sorriu e disse: "Se sua mente se move, seu corpo se move". Quando eu ouvi aquelas palavras, aconteceu o estalo. Comecei a pensar que, talvez, o próprio Tohei Sensei ou aquilo que ele estava ensinando pudesse me dar algum tipo de resposta para as grandes questões, não somente sobre o Aikido, mas sobre a vida.
(continua)
(trad. Noemi Osna)
AW: Em que circunstâncias o senhor começou o Aikido?
KK: Eu estava no colégio e havia treinado como atleta, principalmente nas modalidades de corrida, correndo distâncias curtas. Naquele tempo, eu não estava muito interessado em artes marciais. Estava mais interessado em atividades atléticas que me indicassem como usar o corpo de forma mais eficiente para que eu pudesse correr melhor. Na verdade, eu não estudei no colégio. De certa modo, eu apenas passei pelo colégio. (risos)
Permaneci um ano em uma classe intermediária entre o colegial e a universidade. Estava pensando em estudar engenharia elétrica. Eu gostava da idéia e do conceito de engenharia elétrica, mas havia esquecido que você tem que estudar de verdade muita Matemática e Inglês. Eu gostava de Física, porém mais dos aspectos teóricos do que dos cálculos. Não dou muita bola para fórmulas, mas gosto das idéias e dos conceitos da Física desde jovem. Talvez, tenha sido por isso que eu quis ir para a Escola de Engenharia Elétrica.
Como eu estava em uma classe preparatória, naquele ano, eu quase não pude treinar atletismo e por causa disso nunca mais pude correr muito bem. Então, pensei em fazer algo que não prejudicasse meus estudos e me deixasse alguma energia depois do treino. Então, no dia da matrícula, o Kendo Club me encontrou e me fez preencher uma ficha com meu nome e número, tencionando incluir-me no seu grupo. Eu teria que encontrá-los mais tarde no campus com aquela ficha. Mas aconteceu que entrei na sala errada (risos) Vi algumas pessoas usando hakama e entrei naquela sala. Obviamente, algumas pessoas vieram até mim perguntando o que eu desejava. A essas alturas, eu já sabia que aquelas pessoas não eram do Kendo, e sim do Aikido. Como eu já havia entrado, não quis ser grosseiro e fiquei para assistir.
Até aquele momento, eu ainda não desejava participar da arte do Aikido, mas senti que a atmosfera do treinamento era muito agradável. E gostei daquilo. Não posso dizer que era algo amistoso. O treinamento de artes marciais no Colégio nunca é amistoso no Japão. Porém, percebi que aquelas pessoas estavam dando, umas às outras, um pouco de espaço. As pessoas do Kendo nunca me deram muito espaço. "Você devem fazer isso", "Você tem que ir ali". Acho que a maior parte das artes marciais é conduzida assim, em estilo militar.
As pessoas da nossa universidade eram diferentes. Eu não sei se elas estavam seguras do que faziam ou se eram mais confiantes.Disse a elas que eu devia ir ao grupo de Kendo. Responderam que eu poderia ir, mas se quisesse, seria bem-vindo para ficar e assistir. Gostei daquilo, pois deu-me imediatamente um pouquinho de liberdade. Disse que gostaria de ficar. É claro que não sabia o que eles estavam fazendo. Nem mesmo lembro do que eles estavam fazendo, algum tipo de "pin". Mas gostei da sensação de liberdade. Eu tomava decisões assim algumas vezes, quando me pareciam acertadas. Mas estava preocupado com as pessoas do Kendo, também. Eu lhes disse que iria encontrá-las em seguida. Conversei e esclareci que já tinha pensado em participar do grupo de Kendo. Eles me disseram para não ficar preocupado que conversariam com o pessoal do kendô e tudo ficaria certo. E o pessoal do Kendo me disse que como eu estava praticando artes marciais não haveria problema.
AW. Então o senhor praticou Aikido durante o periodo colegial. Como foi isso?
KK. Sim, eu prossegui no Aikido durante o tempo do colégio. Bem, aquilo parecia muito mais com um cego guiando outro. Nosso grupo, na verdade,não sabia muito de Aikido, mas, com sorte, um instrutor de um dojo de Aikikai hombu aparecia uma vez por semana, e nos ensinava. Mas não tinhamos um "dojo" de verdade. A gente saia da Universidade e caminhava cerca de 30 minutos até esse outro dojo de Aikikai. Nosso grupo estava matriculado no Aikikai, então a gente treinava por conta todos os dias, mas o instrutor de aikikai só vinha uma vez por semana.
O que aprendÍamos com ele não era suficiente e era difícil entender o que ele nos ensinava. Então, tínhamos que tirar as próprias conclusões sobre como e o quê deveríamos treinar. Naquele tempo, eu era principiante e qualquer coisa que o sempai nos pedisse para fazer a gente fazia. Na verdade, a gente estava lutando boxe.. Não sabíamos que Aikido não tinha luta. Às vezes, colocávamos luvas de boxe e realmente tentávamos socar para ver se poderíamos atingir uns aos outros. Foi assim que quebrei meu nariz...
AW: O treinamento era intenso?
KK. Eu não achava o treinamento físico, em si , tão intenso porque eu era o mais atleta de todos. No entanto, o seiza era difícil, pois eu não fazia seiza no atletismo. Todo o resto eu conseguia levar. O primeiro ano de treinamento de Aikido nas universidades japonesas é basicamente de uke. Nós nunca tentamos derrubar ninguém, Eu poderia cair e levantar muitas, muitas vezes sem cansar e meus sempai gostavam daquilo! Eles me davam muita atenção, mas essa atenção também me rendeu um nariz quebrado e dois deslocamentos de ombros...Quanto mais eles gostavam de me usar, tanto mais eu apanhava! Algumas vezes, eles até faziam shinai para ver se eu conseguia desviar. Mas eles eram meus sempai e eu não podia fazer nada a respeito, é claro.
Mais tarde, descobri que aquilo não era Aikido de verdade, mas no início eu não sabia de nada. Depois da aula a gente saia – praticamente depois de todas as aulas – e os sempai nos proporcionavam kohai de forma muito gentil. Eu gostava daquele ambiente. Quem sabe, o Aikido estivesse ajudando aqueles sempai a ser daquele jeito fora do dojo... Embora a gente não estivesse entendendo o lado da técnica muito bem, talvez estivéssemos, por outro lado, aprendendo o aspecto filosófico do Aikido.
Todos nós guardamos alguma coisa em nosso espírito do treinamento que fizemos. Acho que aquilo, para mim, foi uma boa introdução ao Aikido. Provavelmente, se na época eu tivesse encontrado os métodos convencionais de aikido, logo teria largado. Teria sido muito insatisfatório. Nosso clube fazia um monte de coisas malucas, como , por exemplo, lutar boxe. Eu não gostava de ser socado, mas a loucura, para mim, era prazerosa. Eu não ficava muito cansado depois e ainda sobrava energia para estudar.
AW. Quando é que o senhor começou a freqüentar o Dojo Aikikai Hombu?
KK: O grupo estava matriculado no Aikikai, e eu tinha o privilègio de mandar um certo número de membros para o dojo hombu toda a semana. Claro, que nossos sempai tinham primazia , mas às vezes um sempai decidia não ir e escolhia um de nós para ir em seu lugar e treinar no dojo hombu.
AW: Lá, o treinamento era diferente?
KK: Era muito mais suave do que o que a gente vinha fazendo. Surpreendentemente, muito mais suave! (risos). Eu pensei: "Oh! Treinar Aikikai é muito bom! Eles são tão gentis. Pois, você não tem que matar o seu oponente"^
Assim mesmo, eu ainda não entendia o que eles faziam. Mas eu, finalmente, consegui entender algumas das instruções de rankings superiores fazendo Aikido. Mas, aquilo ainda me parecia muito distante. Observando aquelas pessoas de ranking mais elevando, ainda me parecia um tanto fraudulento e suave. Mas eu respeitava aquilo.
Íamos ao Aikikai para respirar aquela atmosfera dos treinamentos. Mas, logo que a gente voltou para a universidade, retomamos o estilo rude da luta de keiko. Se me lembro corretamente, fazia um ano que eu estava treinando quando fui ver Tohei Sensei.
AW: O senhor lembra da primeira aula com Tohei Sensei?
KK. Me lembro da primeira aula. A primeira impressão do Tohei Sensei não foi muito marcante. Por um lado, ele possuía um grau superior à maioria dos instrutores de Aikikai, e também sabíamos que era muito conceituado por outros instrutores. Mas, por outro lado, eu sabia que havia algum tipo de conflito político entre eles. Naquele tempo, já aconteciam coisas do tipo: "Você não deve ir a tal e tal aula se estiver treinando na classe dessa pessoa"
Até aquele período, eu treinava com muitos instrutores diferentes no dojo hombu. Tão logo passei a freqüentar as aulas de Tohei Sensei, tudo começou a mudar. Comecei a sentir pressão de parte de alguns instrutores, basicamente que eu não era mais bem-vindo a suas classes. Agora, isso era só por parte de alguns instrutores, não da maioria deles. Mas alguns deles me fizeram passar por maus momentos por estar lá. Embora eu não fosse alguém importante ali, comecei a sentir que já não era mais bem-vindo. Eu não contei a ninguém que estava freqüentando as classes de Tohei Sensei, mas creio que eles andaram monitorando um simples colegial como eu.
AW: Naquele tempo, o senhor gostava das classes de Tohei Sensei?
KK. Naquele tempo, eu gostava das lições de qualquer um. Não apenas de Tohei Sensei. Novamente, todos aqueles instrutores tinham uma existência muito distanciada para mim. Se O-sensei fosse Deus, então Tohei sensei devia ser considerado o Papa ou algo assim que estivesse muito lá em cima. (risos) Obviamente, eu não tinha nenhuma ligação com ele, pois era apenas mais um shodan entre muitos. Na verdade, eu não tinha uma percepção do tipo: "Eu gosto dos seus ensinamentos".
Não funciona assim no Japão, de todo o jeito, especialmente em um dojo hombu. Se você começa a dizer que gosta mais dos ensinamentos de alguém, pode ser banido por outros instrutores. É uma coisa muito política. Se você for esperto, não diz "Gosto disso", ou "Não aprecio aquele instrutor". Por isso , não me posicionei. Mas, aos poucos, comecei a freqüentar a classe de Tohei Sensei. Ele estava iniciando seu "Ki no Kenkyukai". Achei que aquele era, de certo modo, meu momento de decisão .
Meu sensei me chamou para informar que Tohei Sensei estaria iniciando uma classe de Ki fora do dojo hombu. Não entendi porque ele me chamou para dizer aquilo. Mas eu estava tendo aulas com Tohei Sensei e sentia alguma pressão por parte de outros por já fazer parte do grupo de Tohei Sensei. E a classe de Tohei Sensei soava interessante. Eu não estava no Aikido pelo aspecto marcial, mas para poder me mexer melhor. Também não estava muito interessando somente no Aikido, mas em algo um pouco maior. Só aprender como arremessar alguém não me interessava muito. Eu achava que havia uma resposta maior do que aquela.
Na época, eu estava um pouco confuso com questões sociais, e um tanto rebelde. Comecei a me fazer perguntas sobre o porque de estar aqui e para onde ir, para dar um pouco de significado à minha vida. O Aikido, naquele tempo, era só para manter a forma e conviver com as pessoas. Eu não tinha grandes expectativas a respeito , exceto como exercício físico. Porém, quando assisti às aulas de Tohei Sensei, eu agora posso perceber que ele estava ensinando e repassando algo mais para mim. Eu não sabia disso naquele momento.
Tohei Sensei possuia uma maravilhosa turma infantil. Fui convidado por outro instrutor para assistir uma das aulas. As crianças são muito menores e havia apenas alguns adultos assistindo. Ele veio até mim e perguntou se eu estava lá para assistir. "Sim, senhor". Ele disse "Porque você não participa?" Então, eu me alinhei com as crianças em uma posição de pé para fazer alguns testes de ki. Em suas aulas regulares de Aikido, ele não fazia qualquer tipo de teste de ki. Mas aquela era uma aula diferente das aulas normais para adultos, traziam mais pensamentos sobre mente e corpo. Eu estava sem entender! Por que ele está nos empurrando? Então ele chegou até mim e empurrou meu ombro. Eu não entendi o quê aquilo significava, e me movi. Então, Tohei Sensei sorriu e disse: "Se sua mente se move, seu corpo se move". Quando eu ouvi aquelas palavras, aconteceu o estalo. Comecei a pensar que, talvez, o próprio Tohei Sensei ou aquilo que ele estava ensinando pudesse me dar algum tipo de resposta para as grandes questões, não somente sobre o Aikido, mas sobre a vida.
(continua)
quarta-feira, junho 28, 2006
Meditação Ki - O correto sentimento ao sentar-se em Seiza
O Centro do Universo
(Koichi Tohei, in How to unify Ki)
Uma vez entendido que o universo é Um é que no universo absoluto todas as coisas são a mesma, vamos tomar em consideração nossa existência. O universo é um círculo ilimitado com linhas radiais ilimitadas. É uma esfera ilimitada, portanto. Qualquer um pode imaginar que o universo é sem limites acima de si, à sua direita e à sua esquerda, para a frente e para trás. Mas, como é abaixo de si? Nós estamos em pé sobre a terra, mas, além da terra, o universo também não tem limites. Mesmo que nos movamos em alguma direção, o universo não fica mais curto nessa direção a qual nos movemos. Por exemplo, se vamos à direita ou à esquerda, é absurdo dizer que o universo ficou um passo mais curto para a direita ou para a esquerda. Deste modo, estejamos em pé em um lugar ou nos movendo, onde quer que estejamos, podemos pensar que estamos no centro do universo.
Mas, porque estamos pisando a terra, muitas pessoas, inconscientemente, esquecem que o universo é infinito também abaixo delas. Então, porque dependem demais da terra sob elas, seu Ki pára sob seus pés.
Em uma emergência, quando eles pensam que precisam manter a calma e a estabilidade seja em pé ou sentados, tentam pressionar seus corpos contra o chão. Mesmo nas caminhadas do dia-a-dia, eles se vêem caminhando a pressionar o chão sob eles. Este é um grande erro. Fazendo isso em Seiza, não é possível sentar-se calmamente e de modo estável, nem relaxar completamente. O modo correto de sentar-se em Seiza é pensar e sentir que se está situado no centro de uma esfera sem limites e que se estar sentado é como flutuar no ar, sem depender de suporte algum.
Assim como alguém que nunca sentiu a doçura do doce pode entender ou acreditar no que seja o doce sem prova-lo, do mesmo modo é impossível saber o que é a Meditação Ki sem praticá-la, apenas pensando a respeito ou lendo.
(Koichi Tohei, in How to unify Ki)
Uma vez entendido que o universo é Um é que no universo absoluto todas as coisas são a mesma, vamos tomar em consideração nossa existência. O universo é um círculo ilimitado com linhas radiais ilimitadas. É uma esfera ilimitada, portanto. Qualquer um pode imaginar que o universo é sem limites acima de si, à sua direita e à sua esquerda, para a frente e para trás. Mas, como é abaixo de si? Nós estamos em pé sobre a terra, mas, além da terra, o universo também não tem limites. Mesmo que nos movamos em alguma direção, o universo não fica mais curto nessa direção a qual nos movemos. Por exemplo, se vamos à direita ou à esquerda, é absurdo dizer que o universo ficou um passo mais curto para a direita ou para a esquerda. Deste modo, estejamos em pé em um lugar ou nos movendo, onde quer que estejamos, podemos pensar que estamos no centro do universo.
Mas, porque estamos pisando a terra, muitas pessoas, inconscientemente, esquecem que o universo é infinito também abaixo delas. Então, porque dependem demais da terra sob elas, seu Ki pára sob seus pés.
Em uma emergência, quando eles pensam que precisam manter a calma e a estabilidade seja em pé ou sentados, tentam pressionar seus corpos contra o chão. Mesmo nas caminhadas do dia-a-dia, eles se vêem caminhando a pressionar o chão sob eles. Este é um grande erro. Fazendo isso em Seiza, não é possível sentar-se calmamente e de modo estável, nem relaxar completamente. O modo correto de sentar-se em Seiza é pensar e sentir que se está situado no centro de uma esfera sem limites e que se estar sentado é como flutuar no ar, sem depender de suporte algum.
Assim como alguém que nunca sentiu a doçura do doce pode entender ou acreditar no que seja o doce sem prova-lo, do mesmo modo é impossível saber o que é a Meditação Ki sem praticá-la, apenas pensando a respeito ou lendo.
quarta-feira, junho 21, 2006
Palavras de Morihei Ueshiba - O-Sensei
“A vitória que buscamos é sobressairmos a todos os desafios e lutar até o fim cumprindo a nossa meta. No Aikidô nunca atacamos. Se você atacar primeiro para ganhar vantagem sobre alguém, isso é prova de que o seu treinamento não foi o suficiente e, na verdade, você é quem foi vencido.
“Primeiro de tudo, você deve pôr a sua vida em ordem. Em seguida, você deve aprender como manter um relacionamento ideal dentro de sua própria família. Depois disso, você deve lutar para melhorar as condições no seu próprio país e, finalmente , viver em harmonia com o mundo como um todo.
“Masakatsu Agatsu, Katsu Hayabi” é o lema do Aikidô. Quer dizer “A Verdadeira Vitória é a Vitória sobre Si Mesmo aqui e agora.
“Todos os dias da vida humana contêm alegria e ódio, dor e prazer, escuridão e luz, crescimento e decadência. A cada momento é delineado o grande plano da natureza- não se negue nem se oponha à ordem cósmica das coisas. Aguarde alegremente por cada dia e aceite o que ele lhe oferecer”.
O- Sensei
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
“Primeiro de tudo, você deve pôr a sua vida em ordem. Em seguida, você deve aprender como manter um relacionamento ideal dentro de sua própria família. Depois disso, você deve lutar para melhorar as condições no seu próprio país e, finalmente , viver em harmonia com o mundo como um todo.
“Masakatsu Agatsu, Katsu Hayabi” é o lema do Aikidô. Quer dizer “A Verdadeira Vitória é a Vitória sobre Si Mesmo aqui e agora.
“Todos os dias da vida humana contêm alegria e ódio, dor e prazer, escuridão e luz, crescimento e decadência. A cada momento é delineado o grande plano da natureza- não se negue nem se oponha à ordem cósmica das coisas. Aguarde alegremente por cada dia e aceite o que ele lhe oferecer”.
O- Sensei
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
Palavras de Morihei Ueshiba - O-Sensei
“Uma jornada de mil quilômetros começa com um passo. A nossa vida é o conjunto desse movimento no tempo. Não importa se você viverá mil anos, porque só pode viver nesse momento. Não o passado,não o futuro, mas o agora é o tempo da vida. O tempo passado perdeu-se para sempre;o tempo futuro nunca chega. A luz contém a sombra e nas sombras há luz. Assim também, na vida, encontramos a morte, e na morte a vida. Ambas são inseparáveis.
“Não fuja para o passado nem sonhe com o futuro. Viva o presente,esse instante e encontre nele seu verdadeiro eu.
“Agora é agora. Ontem é lembrança, amanhã esperança,mas não realidade. Não há separação entre passado,presente e futuro pois tudo está contido neste instante, nesta realidade, o momento decisivo para a reação sem hesitações. Humildade e sentimento de principiante impedem que estagnemos.“
O-Sensei
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
“Não fuja para o passado nem sonhe com o futuro. Viva o presente,esse instante e encontre nele seu verdadeiro eu.
“Agora é agora. Ontem é lembrança, amanhã esperança,mas não realidade. Não há separação entre passado,presente e futuro pois tudo está contido neste instante, nesta realidade, o momento decisivo para a reação sem hesitações. Humildade e sentimento de principiante impedem que estagnemos.“
O-Sensei
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
Palavras de Morihei Ueshiba - O Sensei
“Quando a pessoa compreende a operação da energia em espiral e treina a si mesma na verdade do espírito,criou-se o Aiki.
“Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que une as criaturas entre si.
Quando as inúmeras variações da respiração universal podem ser sentidas, nascem as técnicas individuais do Aikidô.
“Agora e sempre, é necessário que nos isolemos entre as profundas montanhas e ocultos vales para restaurarmos o nosso elo com a fonte da vida. Inspira profundamente e deixa-te pairar nos limites do universo; expire lentamente e traze o universo que está dentro de ti para fora. A seguir, inspira toda a fecundidade e vibração da terra. Finalmente, misturar a respiração do céu e a respiração da terra com a tua respiração, tornando-te a própria Respiração da Vida.
“Considera o fluir e o refluir da maré. Quando as ondas chegam e se chocam com a margem, elas se elevam e caem, criando um som. A tua respiração deve seguir o mesmo modelo, absorvendo o inteiro universo no teu ventre em cada inalação.
Saiba que nós todos temos acesso a quatro tesouros: a energia do sol e da lua, o sopro do céu, o sopro da terra e o fluir e refluir da maré...
“Todos os princípios do céu e da terra estão vivendo em ti. A Vida em si mesma é a verdade, e isso nunca muda. Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que liga e junta toda a criação. Quando as inumeráveis variações da respiração universal podem ser sentidas, então as técnicas individuais da Arte da Paz nascem.
“O teu coração está cheio de férteis sementes, esperando para brotar. Assim como a flor do lótus brota da lama, esplendidamente, a interação da respiração cósmica faz com que a flor do espírito floresça e dê frutos para este mundo.”
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
“Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que une as criaturas entre si.
Quando as inúmeras variações da respiração universal podem ser sentidas, nascem as técnicas individuais do Aikidô.
“Agora e sempre, é necessário que nos isolemos entre as profundas montanhas e ocultos vales para restaurarmos o nosso elo com a fonte da vida. Inspira profundamente e deixa-te pairar nos limites do universo; expire lentamente e traze o universo que está dentro de ti para fora. A seguir, inspira toda a fecundidade e vibração da terra. Finalmente, misturar a respiração do céu e a respiração da terra com a tua respiração, tornando-te a própria Respiração da Vida.
“Considera o fluir e o refluir da maré. Quando as ondas chegam e se chocam com a margem, elas se elevam e caem, criando um som. A tua respiração deve seguir o mesmo modelo, absorvendo o inteiro universo no teu ventre em cada inalação.
Saiba que nós todos temos acesso a quatro tesouros: a energia do sol e da lua, o sopro do céu, o sopro da terra e o fluir e refluir da maré...
“Todos os princípios do céu e da terra estão vivendo em ti. A Vida em si mesma é a verdade, e isso nunca muda. Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que liga e junta toda a criação. Quando as inumeráveis variações da respiração universal podem ser sentidas, então as técnicas individuais da Arte da Paz nascem.
“O teu coração está cheio de férteis sementes, esperando para brotar. Assim como a flor do lótus brota da lama, esplendidamente, a interação da respiração cósmica faz com que a flor do espírito floresça e dê frutos para este mundo.”
(Compilado por Ivan Marcos Okuyama sensei, in Apostila - Seminário de verão de 2005 - Academia Pesquisa de Aikidô)
sexta-feira, junho 16, 2006
Para tornar-se um com o Universo (1) - Concentre sua mente no ponto um no baixo abdômen - Koichi Tohei
Concentre sua mente no ponto um no baixo abdômen
Todos sabem que isso é importante manter a mente calma. Bem, onde nós acalmamos nossa própria mente?
Esse lugar é o "um ponto no baixo abdômen" o qual eu irei descrever.
As pessoas no oriente, desde os tempos antigos, têm posto ênfase na importância do baixo abdômen (Seika-tanden em japonês) como o local de nascimento da verdadeira força humana.
Eles também tendem a praticar a falsa crença que simplesmente concentrando a força física no baixo abdômen produzirá um poderoso baixo abdômen.
É verdade que o baixo abdômen é importante, no entanto, o baixo abdômen não é o local onde colocar força física. É o local onde acalmar sua a mente.
Se você meramente tensiona seu baixo abdômen, uma reação em cadeia irá causar tensão em seu peito, também. E se você continua com isso por longo tempo, você irá desenvolver dores no estômago e irá experimentar aumento da pressão sanguínea.
Você não deve esquecer que a mente move o corpo.
Como o baixo abdômen envolve o conceito de área, é natural que nós nos concetremos nessa área, e com isso fiquemos tensos.
Por essa razão eu selecionei um ponto no baixo abdômen no qual nós não conseguimos colocar tensão e é um infinitamente pequeno ponto. E o que chamo de "ponto um no baixo abdômen (seika-no-itten em japonês)".
Todos os iniciantes cometem o erro de localizar o ponto um no baixo abdômen alto demais no baixo abdômen. O ponto um é muito mais baixo do que você pensa, aproximadamente na altura do osso púbico.
Isso é vários centímetros abaixo do umbigo.
Acalmando sua mente no ponto um, você pode desenvolver um poderoso baixo abdômen sem ficar tenso. Nós chamamos esse processo "unicidade de mente", ou "mente concentrada". Acalmando nossa mente no ponto um no baixo abdômen, nós podemos desenvolver um poderoso baixo abdômen. E assim estaremos equilibrados.
Todos sabem que isso é importante manter a mente calma. Bem, onde nós acalmamos nossa própria mente?
Esse lugar é o "um ponto no baixo abdômen" o qual eu irei descrever.
As pessoas no oriente, desde os tempos antigos, têm posto ênfase na importância do baixo abdômen (Seika-tanden em japonês) como o local de nascimento da verdadeira força humana.
Eles também tendem a praticar a falsa crença que simplesmente concentrando a força física no baixo abdômen produzirá um poderoso baixo abdômen.
É verdade que o baixo abdômen é importante, no entanto, o baixo abdômen não é o local onde colocar força física. É o local onde acalmar sua a mente.
Se você meramente tensiona seu baixo abdômen, uma reação em cadeia irá causar tensão em seu peito, também. E se você continua com isso por longo tempo, você irá desenvolver dores no estômago e irá experimentar aumento da pressão sanguínea.
Você não deve esquecer que a mente move o corpo.
Como o baixo abdômen envolve o conceito de área, é natural que nós nos concetremos nessa área, e com isso fiquemos tensos.
Por essa razão eu selecionei um ponto no baixo abdômen no qual nós não conseguimos colocar tensão e é um infinitamente pequeno ponto. E o que chamo de "ponto um no baixo abdômen (seika-no-itten em japonês)".
Todos os iniciantes cometem o erro de localizar o ponto um no baixo abdômen alto demais no baixo abdômen. O ponto um é muito mais baixo do que você pensa, aproximadamente na altura do osso púbico.
Isso é vários centímetros abaixo do umbigo.
Acalmando sua mente no ponto um, você pode desenvolver um poderoso baixo abdômen sem ficar tenso. Nós chamamos esse processo "unicidade de mente", ou "mente concentrada". Acalmando nossa mente no ponto um no baixo abdômen, nós podemos desenvolver um poderoso baixo abdômen. E assim estaremos equilibrados.
Para tornar-se um com o Universo (3) - O pote mágico - Koichi Tohei
O pote mágico
Há uma antiga história sobr eum pote mágico.
Um mercador veio vender um velho pote. As pessoas reclamaram porque o pote era muito caro. O mercador respondeu, "Não, ele não é tão caro assim. Este é um pote mágico."
"Que tipo de mágico ele pode realizar?" as pessoas perguntaram. O mercador respondeu, "Coloque alguma coisa no pote."
As pessoas jogaram no pote o que elas tinham por perto e tudo desapareceu. Era realmetne um pote mágico. Tais tipos de potes podem ser muito úteis.
Todos nós temos um tipo de pote mágico no nosso ponto um no baixo abdômen. É um infinitamente pequeno ponto que pode engolir tudo.
Por exemplo, se alguém espalha rumores falsos sobre você, você pode perder sua calma quando você conta isso para seu cérebro. Jogando fora isso (falsos rumores) no seu ponto um, você não precisa ficar destemperado. Reprimir apenas resultaria na raiva vindo mais tarde. Isso tão pouco é bom para a saúde.
Apenas jogue todas as coisas em seu ponto um e sempre sorria.
Se você vive desse modo, mesmo que um raio caia ao seu lado, você não será abalado pelo som ou pelo flash de luz. Tudo será instantaneamente absorvido no ponto um e desaparecerá. Se você faz desse modo, você pode apreciar uma xícara de chámesmo se um raio cair próximo a você. Você não precisa ficar abalado por isso.
Desde que se mantenha o ponto um na vida diária, se está capacitado a se manter perpetuamente em um estado relaxado de corpo e mente. Se desenvolve uma mente inamovível mesmo que o mundo inteiro ao redor esteja em colapso, e uma mente como essa é tão vasta quanto o oceano o qual pode engolfar todas as coisas e permanecer puro, não poluído.
As pessoas neste mundo costumam acreditar que relaxamente significa perda de poder. Esse é o motivo porque eles não conseguem relaxar em uma emergência. Eles tensionam seus corpos imediatamente.
Você irá descobrir a importância do relaxamento em uma emergência, pela primeira vez, quando você perceber que o relaxamento é o mais natural e estável estado.
Muitas das doenças modernas são causadas por problemas nervosos. Stress, irritação, raiva e estado de depressão fazem as menores veias contraírem e perturbam a manifestação do poder vital causando várias doenças.
Há uma antiga história sobr eum pote mágico.
Um mercador veio vender um velho pote. As pessoas reclamaram porque o pote era muito caro. O mercador respondeu, "Não, ele não é tão caro assim. Este é um pote mágico."
"Que tipo de mágico ele pode realizar?" as pessoas perguntaram. O mercador respondeu, "Coloque alguma coisa no pote."
As pessoas jogaram no pote o que elas tinham por perto e tudo desapareceu. Era realmetne um pote mágico. Tais tipos de potes podem ser muito úteis.
Todos nós temos um tipo de pote mágico no nosso ponto um no baixo abdômen. É um infinitamente pequeno ponto que pode engolir tudo.
Por exemplo, se alguém espalha rumores falsos sobre você, você pode perder sua calma quando você conta isso para seu cérebro. Jogando fora isso (falsos rumores) no seu ponto um, você não precisa ficar destemperado. Reprimir apenas resultaria na raiva vindo mais tarde. Isso tão pouco é bom para a saúde.
Apenas jogue todas as coisas em seu ponto um e sempre sorria.
Se você vive desse modo, mesmo que um raio caia ao seu lado, você não será abalado pelo som ou pelo flash de luz. Tudo será instantaneamente absorvido no ponto um e desaparecerá. Se você faz desse modo, você pode apreciar uma xícara de chámesmo se um raio cair próximo a você. Você não precisa ficar abalado por isso.
Desde que se mantenha o ponto um na vida diária, se está capacitado a se manter perpetuamente em um estado relaxado de corpo e mente. Se desenvolve uma mente inamovível mesmo que o mundo inteiro ao redor esteja em colapso, e uma mente como essa é tão vasta quanto o oceano o qual pode engolfar todas as coisas e permanecer puro, não poluído.
As pessoas neste mundo costumam acreditar que relaxamente significa perda de poder. Esse é o motivo porque eles não conseguem relaxar em uma emergência. Eles tensionam seus corpos imediatamente.
Você irá descobrir a importância do relaxamento em uma emergência, pela primeira vez, quando você perceber que o relaxamento é o mais natural e estável estado.
Muitas das doenças modernas são causadas por problemas nervosos. Stress, irritação, raiva e estado de depressão fazem as menores veias contraírem e perturbam a manifestação do poder vital causando várias doenças.
Para tornar-se um com o Universo (4) - Sempre mantenha o um ponto no baixo abdômen - Koichi Tohei
Sempre mantenha um ponto no baixo abdômen
Algumas pessoas podem espantar-se, "Se eu mantenho um ponto no baixo abdômen sempre, eu não posso fazer nada (mais)". Eu respondo a questão.
Isso parece razoável à primeira vista. No entanto, sempre mantendo um ponto no baixo abdômen não significa sempre pensar no ponto um (itten).
O um ponto no baixo abdômen não é um ponto visível mas o ponto o qual é infinitamente condensado. Mesmo se o ponto um ficar pequeno demais para ser sentido, quando você se concentrar, apenas continue.
Uma vez que você acalme sua mente no baixo abdômen, você pode manter o ponto um no baixo abdômen sem pensar a respeito desde que voc~e pratique a postura correta.
Acalme sua mente no ponto um no baixo abdômen. Sua mente e seu corpo irão tornar-se um com o universo, naturalmente. É importante checar se voc~e acalmou sua mente no ponto um no baixo abdômen antes de qualquer fazer qualquer atividade. Vamos praticar mantendo o ponto um em nossos movimentos diários, quando estamos em pe´, sentados, caminhando.
Eu dou ênfase a isso porque é importante: manter o ponto um não significa estar continuamente pensando conscientemente no baixo abdômen. Se você está com constante foco em seu baixo abdômen, você não estará capacitado a executar corretamente suas atividades diárias.
Quando mantemos o ponto um, nos sentimos relados. Uma vez entendida essa sensação, você pode aplicar essa sensação às suas atividades diárias.
Isso significar agir no seu estado mais natural.
Algumas vezes sua mente pode ser perturbada. Se você sentir que sua mente está perturbada, você pode praticar "Mantenha o ponto um" uma vez mais.
Quando você fica bravo ou excitado, você perde seu ponto um no baixo abdômen. Quando você fica cansado ou enrijece seus ombros, você perde seu ponto um, assim como em muitos outros casos. Nesses casos, você pode se corrigir e manter o ponto um novamente.
A princípio, nós tendemos a perder o ponto um e esquecer isso facilmente. No entanto, praticando manter o ponto um novamente e novamente, você pode manter o ponto um durante longos períodos de tempo. Quando você perder seu ponto um, você perceberá isso imediatamente.
Quando você encarar atividades importantes, você não precisará se desesperar se mantiver o ponto um.
Algumas pessoas podem espantar-se, "Se eu mantenho um ponto no baixo abdômen sempre, eu não posso fazer nada (mais)". Eu respondo a questão.
Isso parece razoável à primeira vista. No entanto, sempre mantendo um ponto no baixo abdômen não significa sempre pensar no ponto um (itten).
O um ponto no baixo abdômen não é um ponto visível mas o ponto o qual é infinitamente condensado. Mesmo se o ponto um ficar pequeno demais para ser sentido, quando você se concentrar, apenas continue.
Uma vez que você acalme sua mente no baixo abdômen, você pode manter o ponto um no baixo abdômen sem pensar a respeito desde que voc~e pratique a postura correta.
Acalme sua mente no ponto um no baixo abdômen. Sua mente e seu corpo irão tornar-se um com o universo, naturalmente. É importante checar se voc~e acalmou sua mente no ponto um no baixo abdômen antes de qualquer fazer qualquer atividade. Vamos praticar mantendo o ponto um em nossos movimentos diários, quando estamos em pe´, sentados, caminhando.
Eu dou ênfase a isso porque é importante: manter o ponto um não significa estar continuamente pensando conscientemente no baixo abdômen. Se você está com constante foco em seu baixo abdômen, você não estará capacitado a executar corretamente suas atividades diárias.
Quando mantemos o ponto um, nos sentimos relados. Uma vez entendida essa sensação, você pode aplicar essa sensação às suas atividades diárias.
Isso significar agir no seu estado mais natural.
Algumas vezes sua mente pode ser perturbada. Se você sentir que sua mente está perturbada, você pode praticar "Mantenha o ponto um" uma vez mais.
Quando você fica bravo ou excitado, você perde seu ponto um no baixo abdômen. Quando você fica cansado ou enrijece seus ombros, você perde seu ponto um, assim como em muitos outros casos. Nesses casos, você pode se corrigir e manter o ponto um novamente.
A princípio, nós tendemos a perder o ponto um e esquecer isso facilmente. No entanto, praticando manter o ponto um novamente e novamente, você pode manter o ponto um durante longos períodos de tempo. Quando você perder seu ponto um, você perceberá isso imediatamente.
Quando você encarar atividades importantes, você não precisará se desesperar se mantiver o ponto um.
quarta-feira, junho 14, 2006
Para tornar-se um com o Universo (Significado do ponto um no baixo abdômen)- Koichi Tohei
Significado do ponto um no baixo abdômen
Vamos pensar mais profundamente sobr eo ponto um no baixo Abdômen.
O Universo é umcírculo sem limites ou uma esfera sem limite radial. Deste modo, eu posso dizer que eu sou o centro do Universo. Mesmo que eu dê um passo à esquerda, você não pode dizer que o Universo para o meu lado esquerdo ficou um passo menor. O Universo ainda é sem limites.
Mas, se eu digo que estou sozinho no centro do Universo, isso será um erro. Todos estão no centro do Universo.
Um círculo limitado tem apenas um centro mas um círculo sem limites tem tantos centros quanto você quiser.
Buda ensinou isso quando disse: "Tenjo tenga yuiga dokuson", que significa, "Eu sou o meu Senhor através do céu e da terra. Eu não sou o homem do homem, mas meu próprio dono".
Buda também disse: “Banbutsu ni busho ari,” que quer dizer, " Todas as coisas do universo tem potencialmente a qualidade de Buda".
Mas, em tempo remotos, os monges interpretaram erroneamente, produzindo este dizer: "Apenas Buda é sagrado."
O Universo condensado torna-se eu mesmo. E ainda mais condensado vem a ser o ponto um em meu baixo abdômen.
O ponto um não é realment eum ponto tangível, mas o ponto no qual você infinitamente condensa até a metade, metade, metade, em sua mente. Quando isso alncaça o limite de ser pequeno demais para ser visualizado, mantenha a concentração em sua mente e deixe o processo seguir.
O movimento de condensação infinita resulta na qualidade calma. Esse é o exato significado do ponto um no baixo abdômen.
Quando o ponto um é pequeno demais para se sentir, e você para de concentrar-se, isso se tranforma na qualidade de calma morta ao invés da qualidade de calma viva.
A qualidade de calma viva é o estado de estabilidade contendo infinitos movimentos, e a qualidade de calma morta é poder sem movimento.
Eles parecem iguais mas são fundamentalmente diferentes.
Nada pára neste mundo. A mente é o mesmo.
A qualidade de calma morta não segue os princípios do Universo.
(Clique no título para ler em inglês)
Vamos pensar mais profundamente sobr eo ponto um no baixo Abdômen.
O Universo é umcírculo sem limites ou uma esfera sem limite radial. Deste modo, eu posso dizer que eu sou o centro do Universo. Mesmo que eu dê um passo à esquerda, você não pode dizer que o Universo para o meu lado esquerdo ficou um passo menor. O Universo ainda é sem limites.
Mas, se eu digo que estou sozinho no centro do Universo, isso será um erro. Todos estão no centro do Universo.
Um círculo limitado tem apenas um centro mas um círculo sem limites tem tantos centros quanto você quiser.
Buda ensinou isso quando disse: "Tenjo tenga yuiga dokuson", que significa, "Eu sou o meu Senhor através do céu e da terra. Eu não sou o homem do homem, mas meu próprio dono".
Buda também disse: “Banbutsu ni busho ari,” que quer dizer, " Todas as coisas do universo tem potencialmente a qualidade de Buda".
Mas, em tempo remotos, os monges interpretaram erroneamente, produzindo este dizer: "Apenas Buda é sagrado."
O Universo condensado torna-se eu mesmo. E ainda mais condensado vem a ser o ponto um em meu baixo abdômen.
O ponto um não é realment eum ponto tangível, mas o ponto no qual você infinitamente condensa até a metade, metade, metade, em sua mente. Quando isso alncaça o limite de ser pequeno demais para ser visualizado, mantenha a concentração em sua mente e deixe o processo seguir.
O movimento de condensação infinita resulta na qualidade calma. Esse é o exato significado do ponto um no baixo abdômen.
Quando o ponto um é pequeno demais para se sentir, e você para de concentrar-se, isso se tranforma na qualidade de calma morta ao invés da qualidade de calma viva.
A qualidade de calma viva é o estado de estabilidade contendo infinitos movimentos, e a qualidade de calma morta é poder sem movimento.
Eles parecem iguais mas são fundamentalmente diferentes.
Nada pára neste mundo. A mente é o mesmo.
A qualidade de calma morta não segue os princípios do Universo.
(Clique no título para ler em inglês)
Respiração Ki é um elixir da vida - Capítulo 4 ( Ki Breathing, Koichi Tohei)
Todo o corpo respirando internamente
Eu explicado a postura correta e mente e corpo unidos no sentido da respiração Ki.
"Extender Ki" significa manter nossa mente plus.
De qualquer modo, quanod estamos adoecidos ou temos algo em nossa mente, é difícil ter a mente plus, mesmo se você tente.
A mente move o corpo. Do mesmo modo, algumas vezes a mente é afetada pelo corpo.
Se você bem pratica os Princípios Ki, mesmo com a saúde comprometida, você estará capacitado a manter a mente plus. Muitas pessoas tornam-se minus quando seus corpos adoecem.
Há um elixir que ajuda-nos a nos manter plus e a mente e o corpo saudáveis. Esse elixir é a respiração.
Humanos podem sobreviver durante algum tempo sem comer, mas se a respiração pá por cinco minutos, você não sobrevive.
Se temos uma respiração incosciente, não sabemos se nossa respiração é correta ou não, o que tem um profundo efeito tanot em nosso espírito como no estado geral de nosso corpo.
Uma pessoas saudável tem uma respiração longa e profunda; uma pessoa doente tem uma respiração fraca e curta.
Uma pessoa espiritualmente estável respira silenciosamente e em ciclos longos; já uma pessoa nervosa respira em ciclos rápidos e respiros curtos.
Nós podemos promover a estabilidade espiritual e preservar a saúde por meio do controle da respiração.
Vamos pensar no significado e na função da respiração.
Humanos se alimentam de comida e a processam transformando-a em energia.
Oxigênio é preciso nesse processo, sendo que nós respiramos oxigênio da atmosfera.
Como produto desse processo, também temos material sem utilidade como dióxido de carbôno, que precisa ser eliminado imediatamente. Nós precisamos desse processo para nos mantermos vivos.
Há dois tipos de Respiração. Respiração externa ou respiração com os pulmões, que pode ser descrito como o processo no qual o ar do ambiente é inalado para os pulmões, e o gás dióxido de carbono nos pulmões é exalado. Respiração interna pode ser descrita como o processo no qual o oxigênio é levado dos pulmões, pelos sistema circulatório, suprindo as células do corpo de oxigênio.
De modo recíproco, o dióxido produzido nas células é absorvido pelo sistema circulatório e levado para os pulmões e então exalado.
Muitos métodos de respiração são ensinados por muitas pessoas. Muitos desses métodos de respiração preocupam-se com a respiração externa.
Eles dizem que o volume de ar que pode ser contido nos pulmões é de aproximadamente 3,000cc- 4,000cc.
Nós podemos trocar um quinto do ar dos pulmões por meio da respiração normal.
Isso significa que nós sempre retemos sujeira, ar velho em nosso pulmões.
É natural respirar profundamente e trocar o ar de nossos pulmões.
Para trocar o ar em nossos pulmões, nós não precisamos de nenhum método ou técnica. Quando queremos renovar o ar de um quarto com ar fresco, nós só precisamos abrir duas janelas e esperar mais ou menos cinco minutos. Do mesmo modo, se nós respirarmos profundamente cinco ou seis vezes, nós podemos liberar todo o ar velho de nossos pulmões, naturalmente.
Não apenas a respiração externa é importante, mas também a respiração interna.
Se o oxig~enio apenas vai para dentro e para fora dos pulmões, você não tem muitos benefícios. Quando o oxigênio é carregado para todo o seu corpo por meio de seus sistema circulatório, você pode se beneficiar pelo oxigênio frenco enviado através de todo o seu corpo.
REspiração Ki realiza a respiração externa e interna ao mesmo tempo. Isso é chamado "Respiração com todo o corpo".
Algumas pessoas ensinam a inalar e exalar durante determinado tempo. Em alguns casos, o número de respirações é determinado.
De qualquer modo, não é tão importante inalar e exalar determinado número de vezes em determinado tempo.
Quanto mais você fizer Respiração Ki, com mais vigor você ficará.
Respirando com mente e corpo unidos
Vamos falar sobre como fazer a REspiração Ki.
A coisa mais importante é praticar com mente e corpo unidos. A postura correta é a postura natural quando você pratica Respiração Ki.
Postura natural significa nossa mente e corpo são um com o Universo. Isto é estar com a postura mais confortável e estável. O problema começa quando você tem dificuldade em entender o que é estar com mente e corpo unidos.
Eu ensinei nos capítulos prévios como fazer isso. Qualquer um pode testar o estado de união de mente e corpo por meio dos testes de Ki.
Antes de começar a Respiração Ki, vamos fazer um exercício simples.
Primeiro, por favor, tensione seu corpo do topo da sua cabeça até a ponta dos dedos dos pés.
Aperte sua testa, encare com firmeza, cerre os dentes com força, tensione seu peito e ombros, tensione seus braços, coloque força no seu baixo abdômen, e tensione suas pernas. Como fica a respiração nesse momento?
Muitos de você podem segurar a respiração sem ao menos perceber. Se voc~e fizer o teste de Ki nesse momento, você saberá que se seu corpo está tenso, sua postura é instável.
Façamos outro exercício. Desta vez, vamos tentar um relaxamento morto. Deixe seus ombros caírem como quando se está desapontado e deixe suas costas dobrarem.
Como está sua respiração neste momento? Sim, é difícil respirar porque os órgãos internos estão pressionados. Do memso modo, você pode sentir que sua respiração fica superficial.
Quando você fizer o teste de Ki, você irá entender que o relaxamento morto é uma postura instável. Muitas pessoas sabem que o relaxamento é important para a saúde. Mas poucas pessoas sabem que existe diferença entre o correto relaxamento e o relaxamento morto.
Quando você faz a Respiração Ki, é importante fazer a Respiração Ki com mente e corpo unidos, e não apenas usando o corpo.
Eu explicado a postura correta e mente e corpo unidos no sentido da respiração Ki.
"Extender Ki" significa manter nossa mente plus.
De qualquer modo, quanod estamos adoecidos ou temos algo em nossa mente, é difícil ter a mente plus, mesmo se você tente.
A mente move o corpo. Do mesmo modo, algumas vezes a mente é afetada pelo corpo.
Se você bem pratica os Princípios Ki, mesmo com a saúde comprometida, você estará capacitado a manter a mente plus. Muitas pessoas tornam-se minus quando seus corpos adoecem.
Há um elixir que ajuda-nos a nos manter plus e a mente e o corpo saudáveis. Esse elixir é a respiração.
Humanos podem sobreviver durante algum tempo sem comer, mas se a respiração pá por cinco minutos, você não sobrevive.
Se temos uma respiração incosciente, não sabemos se nossa respiração é correta ou não, o que tem um profundo efeito tanot em nosso espírito como no estado geral de nosso corpo.
Uma pessoas saudável tem uma respiração longa e profunda; uma pessoa doente tem uma respiração fraca e curta.
Uma pessoa espiritualmente estável respira silenciosamente e em ciclos longos; já uma pessoa nervosa respira em ciclos rápidos e respiros curtos.
Nós podemos promover a estabilidade espiritual e preservar a saúde por meio do controle da respiração.
Vamos pensar no significado e na função da respiração.
Humanos se alimentam de comida e a processam transformando-a em energia.
Oxigênio é preciso nesse processo, sendo que nós respiramos oxigênio da atmosfera.
Como produto desse processo, também temos material sem utilidade como dióxido de carbôno, que precisa ser eliminado imediatamente. Nós precisamos desse processo para nos mantermos vivos.
Há dois tipos de Respiração. Respiração externa ou respiração com os pulmões, que pode ser descrito como o processo no qual o ar do ambiente é inalado para os pulmões, e o gás dióxido de carbono nos pulmões é exalado. Respiração interna pode ser descrita como o processo no qual o oxigênio é levado dos pulmões, pelos sistema circulatório, suprindo as células do corpo de oxigênio.
De modo recíproco, o dióxido produzido nas células é absorvido pelo sistema circulatório e levado para os pulmões e então exalado.
Muitos métodos de respiração são ensinados por muitas pessoas. Muitos desses métodos de respiração preocupam-se com a respiração externa.
Eles dizem que o volume de ar que pode ser contido nos pulmões é de aproximadamente 3,000cc- 4,000cc.
Nós podemos trocar um quinto do ar dos pulmões por meio da respiração normal.
Isso significa que nós sempre retemos sujeira, ar velho em nosso pulmões.
É natural respirar profundamente e trocar o ar de nossos pulmões.
Para trocar o ar em nossos pulmões, nós não precisamos de nenhum método ou técnica. Quando queremos renovar o ar de um quarto com ar fresco, nós só precisamos abrir duas janelas e esperar mais ou menos cinco minutos. Do mesmo modo, se nós respirarmos profundamente cinco ou seis vezes, nós podemos liberar todo o ar velho de nossos pulmões, naturalmente.
Não apenas a respiração externa é importante, mas também a respiração interna.
Se o oxig~enio apenas vai para dentro e para fora dos pulmões, você não tem muitos benefícios. Quando o oxigênio é carregado para todo o seu corpo por meio de seus sistema circulatório, você pode se beneficiar pelo oxigênio frenco enviado através de todo o seu corpo.
REspiração Ki realiza a respiração externa e interna ao mesmo tempo. Isso é chamado "Respiração com todo o corpo".
Algumas pessoas ensinam a inalar e exalar durante determinado tempo. Em alguns casos, o número de respirações é determinado.
De qualquer modo, não é tão importante inalar e exalar determinado número de vezes em determinado tempo.
Quanto mais você fizer Respiração Ki, com mais vigor você ficará.
Respirando com mente e corpo unidos
Vamos falar sobre como fazer a REspiração Ki.
A coisa mais importante é praticar com mente e corpo unidos. A postura correta é a postura natural quando você pratica Respiração Ki.
Postura natural significa nossa mente e corpo são um com o Universo. Isto é estar com a postura mais confortável e estável. O problema começa quando você tem dificuldade em entender o que é estar com mente e corpo unidos.
Eu ensinei nos capítulos prévios como fazer isso. Qualquer um pode testar o estado de união de mente e corpo por meio dos testes de Ki.
Antes de começar a Respiração Ki, vamos fazer um exercício simples.
Primeiro, por favor, tensione seu corpo do topo da sua cabeça até a ponta dos dedos dos pés.
Aperte sua testa, encare com firmeza, cerre os dentes com força, tensione seu peito e ombros, tensione seus braços, coloque força no seu baixo abdômen, e tensione suas pernas. Como fica a respiração nesse momento?
Muitos de você podem segurar a respiração sem ao menos perceber. Se voc~e fizer o teste de Ki nesse momento, você saberá que se seu corpo está tenso, sua postura é instável.
Façamos outro exercício. Desta vez, vamos tentar um relaxamento morto. Deixe seus ombros caírem como quando se está desapontado e deixe suas costas dobrarem.
Como está sua respiração neste momento? Sim, é difícil respirar porque os órgãos internos estão pressionados. Do memso modo, você pode sentir que sua respiração fica superficial.
Quando você fizer o teste de Ki, você irá entender que o relaxamento morto é uma postura instável. Muitas pessoas sabem que o relaxamento é important para a saúde. Mas poucas pessoas sabem que existe diferença entre o correto relaxamento e o relaxamento morto.
Quando você faz a Respiração Ki, é importante fazer a Respiração Ki com mente e corpo unidos, e não apenas usando o corpo.
Para tornar-se um com o Universo (6) - Koichi Tohei
Viver tranquilo é nosso estado original e natural
O peso de todo objeto, naturalmente, situa´se no ponto mais baixo. Desde que o corpo humano também é um objeto, se ele relaxa completamente, o peso de todas as suas partes naturalmente irá estar no ponto mais baixo.
A vida tranquila (calma) é o estado no qual o peso de um objeto naturalmente situa-se em baixo. Então, se o homem relaxa completamente, ele pode sempre permanecer calmo. Este é o terceiro dos quatro princípios básicos.
Se você relaxa mantendo o pese de seu corpo na parte mais baixa, naturalmente sua mente irá se acalmar.
O cérebro está sempre trabalhando, enquanto você está vivo. Você não pode eliminar as ondas da mente (cerebrais). É impossível não pensar em absolutamente nada.
As ondas cerebrais podem ser acalmadas concentrando-se no infinitamente pequeno (metade, metade, metade).
O corpo humano também é um objeto. Quer dizer, se o ser humano relaxa completamente, é natural que estar calmo.
Você não pode sempre acalmar sua mente quando você escolhe estar calmo. É difícil acalmar sua mente sem realizar o que eu expliquei anteriormente sobre manter o peso em baixo.
Mesmo se eu reze a Deus: "Por favor, mentanha minha mente calma", você não pode estar calmo até que o peso dos objeto (corpo humano) naturalmente situe-se na parte mais baixa.
Como eu expliquei no capítulo referente à correta postura, quando você pratica a postura correta em pé, você se mantém em pé sobre seus dedões dos pés e seu calcanhares fora do chão; relaxando pouse os calcanhares no chão, sem afundá-los. Quando você pratica a postura correta sentado (seiza), você ergue-se sobre seus joelhos e então senta-se com leveza (sem jogar peso nas pernas). Se você relaxa seus ombros e braços, o peso da parte de cima do corpo descansa sobre o ponto um na parte baixa do abdomen, naturalmente.
Essa condição é para relaxar completamente e também para manter o peso em baixo.
Nesse estado, alguém pode testar você levantando seu pé ou braço para então você entender o sentimento correto. Se sua postura é muito estável, essa é atranquilidade (calma) viva.
Se você pratica isso em sua vida diária, seu corpo irá aprender a viver em calma sem pensar (divagar) sobre isso constantemente
Mais tarde, se você apenas disser "ponto um" ("itten"), você pode estar calmo a qualquer momento.
(Este artigo é uma tradução do livro de Koichi Tohei sensei, "Ki breathing (Ki no Kokyuho)". Para ler em inglês, acesse o weblog de Shinichi Tohei sensei)
O peso de todo objeto, naturalmente, situa´se no ponto mais baixo. Desde que o corpo humano também é um objeto, se ele relaxa completamente, o peso de todas as suas partes naturalmente irá estar no ponto mais baixo.
A vida tranquila (calma) é o estado no qual o peso de um objeto naturalmente situa-se em baixo. Então, se o homem relaxa completamente, ele pode sempre permanecer calmo. Este é o terceiro dos quatro princípios básicos.
Se você relaxa mantendo o pese de seu corpo na parte mais baixa, naturalmente sua mente irá se acalmar.
O cérebro está sempre trabalhando, enquanto você está vivo. Você não pode eliminar as ondas da mente (cerebrais). É impossível não pensar em absolutamente nada.
As ondas cerebrais podem ser acalmadas concentrando-se no infinitamente pequeno (metade, metade, metade).
O corpo humano também é um objeto. Quer dizer, se o ser humano relaxa completamente, é natural que estar calmo.
Você não pode sempre acalmar sua mente quando você escolhe estar calmo. É difícil acalmar sua mente sem realizar o que eu expliquei anteriormente sobre manter o peso em baixo.
Mesmo se eu reze a Deus: "Por favor, mentanha minha mente calma", você não pode estar calmo até que o peso dos objeto (corpo humano) naturalmente situe-se na parte mais baixa.
Como eu expliquei no capítulo referente à correta postura, quando você pratica a postura correta em pé, você se mantém em pé sobre seus dedões dos pés e seu calcanhares fora do chão; relaxando pouse os calcanhares no chão, sem afundá-los. Quando você pratica a postura correta sentado (seiza), você ergue-se sobre seus joelhos e então senta-se com leveza (sem jogar peso nas pernas). Se você relaxa seus ombros e braços, o peso da parte de cima do corpo descansa sobre o ponto um na parte baixa do abdomen, naturalmente.
Essa condição é para relaxar completamente e também para manter o peso em baixo.
Nesse estado, alguém pode testar você levantando seu pé ou braço para então você entender o sentimento correto. Se sua postura é muito estável, essa é atranquilidade (calma) viva.
Se você pratica isso em sua vida diária, seu corpo irá aprender a viver em calma sem pensar (divagar) sobre isso constantemente
Mais tarde, se você apenas disser "ponto um" ("itten"), você pode estar calmo a qualquer momento.
(Este artigo é uma tradução do livro de Koichi Tohei sensei, "Ki breathing (Ki no Kokyuho)". Para ler em inglês, acesse o weblog de Shinichi Tohei sensei)
terça-feira, junho 13, 2006
Miyamoto Musashi
As idéias de Tohei sensei não surgiram do nada. Mesmo exercícios que muitos consideram constrangedores, têm sua função e devem ser praticados com seriedade. Miyamoto Musashi
, par aos que não o conhecem, foi um samurai do século 16, cuhas palavras ainda hoje repercutem. Clique no link para ver se reconhece algo da Musashi sensei em Tohei sensei.
, par aos que não o conhecem, foi um samurai do século 16, cuhas palavras ainda hoje repercutem. Clique no link para ver se reconhece algo da Musashi sensei em Tohei sensei.
segunda-feira, junho 12, 2006
Artes
Artes descritas passo a passo: Tenchi nage irimi
; Katate kosadori kokyu nage
; Katatedori shiho nage irimi
; Katatedori tenkan kokyu nage (kaisho)
; Munatsuki koteoroshi
; O eu cotidiano
; Anel que não se quebra
; Katate kosadori kokyu nage
; Katatedori shiho nage irimi
; Katatedori tenkan kokyu nage (kaisho)
; Munatsuki koteoroshi
; O eu cotidiano
; Anel que não se quebra
domingo, junho 11, 2006
Feliz aniversário, Gilson Arakaki sensei!
Hoje, 12 de junho, Gilson Arakaki sensei está comemorando seu aniversário. Toda a família Ki Society/Ki-Aikido deseja a ele, assim como a seus familiares e alunos, uma feliz comemoração e que a data repita-se por muitos anos.
Aos que desejarem mandar os parabéns e deixar alguma mensagem, pode clicar no comments que posto logo a seguir. Outra possibilidade é mandar um mail para curitibakisociety@grupos.com.br
Aos que desejarem mandar os parabéns e deixar alguma mensagem, pode clicar no comments que posto logo a seguir. Outra possibilidade é mandar um mail para curitibakisociety@grupos.com.br
Zen e respiração
Clique no título para ler.
Extenda o Ki
Excerto de A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. Clique no título par a ler.
sexta-feira, junho 09, 2006
Educando uma criança (Shinichi Tohei)
Koichi Tohei sensei é meu mestre e também meu pai. Eu gostaria de falar a vocês sobre Koichi Tohei sensei sob o ponto de vista do filho.
Outro dia, eu lembrei de uma experiência que tive na infância. Meu pai ofereceu-se para jogar five-in-a-row (?) ou o jogo de cartas os cem famosos poemas (Hyakunin-isshu; jogo japonês) comigo. Ele jogou muito seriamente. Eu joguei five-in-a-row dez vezes seguidas. E eu perdi dez vezes seguidas. Ele me derrotou sem qualquer hesitação :-)
Desde que eu era pequeno, eu sempre me decepcionei muito ao perder nesse tipo de jogo. Meu pai sabia disso e então me fez pensar a respeito do porque eu havia perdido o jogo.
Uma vez, eu não pude vencer, então, eu chorei e disse: " eu não posso vencer." No próximo jogo, de propósito, meu pai perdeu a partida. Você consegue imaginar o que ele disse depois disso?
Ele disse zangado: "isso se chama 'fazer alguém parecer bom'."
Eu senti a dor da derrota ainda maior. Então disse a ele: "eu não vou chorar todas as vezes se eu perder o jogo. Então, por favor, jogue comigo de modo sério."
Ele disse: "eu entendo." Então, nós jogamos novamente. E ele venceu cinco vezes seguidas.
NOvamente, ele me deu tempo para pensar sobre o porque de eu estar perdendo as partidas. Quando eu descobri o motivo, ele me elogiou muito.
Hoje, pensando sobre o que passou, penso que ele acreditava na habilidade da criança e me conduziu a ter mais disposição sem utilizar falsas satisfações.
Eu aprendi que quando as coisas não vão bem, eu procuro o motivo, e continuo a jogar o jogo. Sem dar as cosas ao problema e sem interromper o Ki. Esse é meu hábito hoje.
Claro, o modo de conduzir uma criança depende da personalidade de cada uma. De qualquer modo, esse é o modo de meu pai, e foi o melhor para mim.
Quando no jogamos o jogo de cartas uma centena de poemas, a situação era a pior. Papai pegava 94 cartas e eu pegava 6 cartas. Eu era muito infeliz perdendo tanto jogos. Meu pai uma vez mais ficou sabendo disso e estão ele escreveu, em pedaços de papel, cada poema e colocou entre os papéis de casa, onde eu pudesse vê-los.
Eu tentei memorizar três poemas por dia. Desse modo, eu consegui memorizar todos os poemas em mais ou menos um mês. Depois disso, eu joguei novament ecom meu pai. Dessa vez, papai pegou 70 cartas e eu 30 cartas. Lembro que fiquei muito feliz.
Novamente, ele simplesmente não satisfez a criança, mas me levou a aprender como jogar. E ele continuou a jogar comigo de modo sério.
Em algum momento, eu cheguei a ter 50% de chance de vencer quando jogávamos five-in-a-row ou o jogo de cartas os cem famosos poemas. Eu penso que hoje não há muita diferença de habilidade entre nós. Mas ainda não sou tão hábil a ponto de vence-lo.
Eu foco na aplicação do Ki na educação. Por que eu gostaria de dividir os ensinamentos intangíveis de Koichi Tohei sensei com o maior número possível de pessoas. Isso é a coisa mais básica na utilização dos princípios de Ki para ajudar pessoas a crescer na educação doméstica, educação escolar, educação no trabalho e educação para liderar.
Se você está interessado nas mesmas coisas, vamos estudar juntos.
(texto original publicado no weblog de Shinichi Tohei. Clique no título e veja este e outros textos, em inglês)
quinta-feira, junho 08, 2006
Palavras do Fundador O-Sensei, Morihei Ueshiba
Aikidô deve ser um caminho ideal do natural, quando visto em relação a Verdade do Universo. O princípio “Ri” deve ser a base que propicia coerência e razão para todas as coisas. Se fossemos analisar ou minuciar o Ri como faria um cientista, poderíamos chamar as coisas que manifestam na superfície física (omote) “Ho” , (seria o mesmo que dizer, uma regra, um método ou lei).
Aikidô é um Ho. É uma das leis sutis enviadas da verdade do céu do Takemusu Aiki (bu- gerando Aiki). Podemos também chamar isso como o “Caminho da Harmonia entre Céu, Terra e Homem”, e portanto pode ser descrito como o Caminho de reconciliamento da miríade de essências e suas manifestações múltiplas.
Você deve entender que técnicas de Aikidô são um Caminho do Misogi, ( que seria, do “ritual da purificação”) da mente e do espírito/mente (kokoro) e um caminho de treinamento. Este fato nos faz conscientes das leis do universo e o mesmo fato é a verdade principal do funcionamento do Universo.
Por essas razões uma vez que você tenha dominado esse Aikidô você entenderá a Lógica Universal e também chegará a um bom entendimento de si próprio.
Por exemplo, se mover uma espada você se coloca inteiramente dentro dessa ação e se une com todo universo para aquele momento. Em Aikidô existe um sábio caminho sutil e misterioso para o espadachim. Neste Caminho da Espada, se você não conseguir dominar perfeitamente a moralidade fundamental, sua arte se tornará certamente na “Espada Corrompida da Injustiça e do Vício” (ja-ken). Mas o que significa essa moralidade fundamental da humanidade?
Ë se manter na virtude da fidelidade, honestidade e comportamento exemplar, caridade de coração e lealdade. Ë fazer o fundamento pelo qual você protege e preserva em verdade, alegria e beleza. Portanto, levar a virtude adiante através do melhor esforço de uma pessoa. Devemos nos esforçar na direção de tornarmo-nos mais e mais sábios e precisos de sensibilidade. É necessário possuir absoluta e toda sinceridade abrangente para todas as coisas. Em resumo devemos prosseguir na direção do “Caminho da Harmonia” no espírito de Amor solidificado de Amor.
Para que possamos alcançar esta mente sincera e fomentá-la, devemos começar por superar a nós mesmos!
Publicação inicial no livro “Aikidô”, número 4, 1981.
(Trad. Kendi Chikude)
Aikidô é um Ho. É uma das leis sutis enviadas da verdade do céu do Takemusu Aiki (bu- gerando Aiki). Podemos também chamar isso como o “Caminho da Harmonia entre Céu, Terra e Homem”, e portanto pode ser descrito como o Caminho de reconciliamento da miríade de essências e suas manifestações múltiplas.
Você deve entender que técnicas de Aikidô são um Caminho do Misogi, ( que seria, do “ritual da purificação”) da mente e do espírito/mente (kokoro) e um caminho de treinamento. Este fato nos faz conscientes das leis do universo e o mesmo fato é a verdade principal do funcionamento do Universo.
Por essas razões uma vez que você tenha dominado esse Aikidô você entenderá a Lógica Universal e também chegará a um bom entendimento de si próprio.
Por exemplo, se mover uma espada você se coloca inteiramente dentro dessa ação e se une com todo universo para aquele momento. Em Aikidô existe um sábio caminho sutil e misterioso para o espadachim. Neste Caminho da Espada, se você não conseguir dominar perfeitamente a moralidade fundamental, sua arte se tornará certamente na “Espada Corrompida da Injustiça e do Vício” (ja-ken). Mas o que significa essa moralidade fundamental da humanidade?
Ë se manter na virtude da fidelidade, honestidade e comportamento exemplar, caridade de coração e lealdade. Ë fazer o fundamento pelo qual você protege e preserva em verdade, alegria e beleza. Portanto, levar a virtude adiante através do melhor esforço de uma pessoa. Devemos nos esforçar na direção de tornarmo-nos mais e mais sábios e precisos de sensibilidade. É necessário possuir absoluta e toda sinceridade abrangente para todas as coisas. Em resumo devemos prosseguir na direção do “Caminho da Harmonia” no espírito de Amor solidificado de Amor.
Para que possamos alcançar esta mente sincera e fomentá-la, devemos começar por superar a nós mesmos!
Publicação inicial no livro “Aikidô”, número 4, 1981.
(Trad. Kendi Chikude)
terça-feira, junho 06, 2006
As 13 Regras para Instrutores de Aikidô
AS 13 Regras para Instrutores de Aikidô
1) Aikidô nos revela o caminho para unificação com o universo. O maior propósito do treinamento em Aikidô é coordenar mente e espírito e tornar-se uno com a própria natureza.
Como a natureza ama e protege toda a criação e ajuda todas as coisas a crescer e desenvolve, devemos ensinar cada estudante com sinceridade, sem discriminação ou parcialidade.
2) Não há discordância na verdade absoluta do universo, mas há discordância no domínio da verdade relativa. Combater contra outros e vencer somente traz vitória relativa. Não combater e ainda vencer traz vitória absoluta. Ganhar uma vitória relativa conduz mais cedo ou mais tarde para inevitável derrota.
Enquanto estiver praticando para se tornar mais forte, aprenda como você pode evitar o combate. Você irá progredir muito rapidamente através do aprendizado para arremessar seu oponente tendo prazer, e ser arremessado tendo prazer também, e pela ajuda mútua para aprender técnicas corretamente.
3) Não critique qualquer outra Arte Marcial. A montanha não ri do rio que é mais modesto, nem o rio fala mal da montanha porque ela não pode se mover. Cada pessoa possui suas características e ganha sua posição na vida. Fale mal de outros e certamente isso retornará para você.
4) As artes marciais começam e terminam com cordialidade, não na forma sozinha, mas no coração assim como na mente. Respeite o professor que o ensinou e não pare de ser grato especialmente para o fundador do Aikidô que mostrou o caminho. Aquele que negligencia isso não deveria se surpreender se seus estudantes fizerem pouco caso dele.
5) Esteja avisado contra presunções. Presunções não seguram somente seu progresso, elas causam sua regressão. A natureza não possui limites, seus princípios são profundos.
O que leva a presunções? Presunções são causadas por pensamentos baixos e um compromisso malfeito com nossos ideais.
6) Cultive uma mente calma que vem da parte universal do corpo pela concentração de seus pensamentos no ponto um no abdome inferior. Você deve saber que é uma vergonha Ter a mente fechada. Não dispute com outros meramente para defender seu ponto de vista. Certo é certo. Errado é errado. Julgue calmamente o que é certo e o que é errado. Se você está convencido que você está errado, faça correções corajosamente. Se você encontra alguém que é seu superior, aceite seus ensinamentos alegremente. Se qualquer um está errando, explique-lhe em silêncio a verdade, e esforce-se para que ele possa entender.
7) Até mesmo um verme de dois centímetros tem um espírito de um centímetro. Cada pessoa respeita seu próprio ego. Portanto não desrespeite ninguém nem machuque o respeito dele a si mesmo. Trate a pessoa com respeito, e ela o respeitará. Faça pouco caso delas que ela fará pouco caso de você. Respeite sua personalidade e escute ponto de vista dela, e ela o seguirá contentemente.
8) Não fique nervoso. Se você ficar nervoso significa que sua mente saiu do ponto um no abdome inferior. A raiva é algo de se ter vergonha no Aikidô. Não fique nervoso por você mesmo. Fique nervoso somente quando os direitos da natureza ou de seu país estão em perigo. Concentre no ponto um, e fique nervoso no ponto um. Saiba que quem fica nervoso facilmente perde coragem nos momentos importantes.
9) Não poupe esforços enquanto estiver ensinando. Você avança quando seus estudantes avançam. Não seja impaciente quando estiver ensinando. Ninguém pode aprender bem em uma vez. Perseverança é um ensinamento importante, assim como paciência, gentileza, e a habilidade de se colocar no lugar do seu aluno.
10) Não seja instrutor arrogante. Os alunos avançam no conhecimento quando obedecem a seu instrutor. Uma característica especial no treinamento em Ki é que o instrutor avança quando está ensinando seus alunos. Treinamento requer uma atmosfera de respeito mútuo entre instrutor e seus alunos. Se você vê um homem arrogante, você vê um homem com pensamentos baixos.
11) Quando praticar não demonstre seu poder sem um bom propósito temendo que você cause resistência na mente daqueles que o observam. Não discuta sobre poder, mas ensine da maneira correta. Palavras sozinhas não podem explicar. Em algumas vezes, ao ser aquele a ser arremessado, você pode ensinar com maior eficiência. Não pare o arremesso do seu aluno no meio do caminho ou pare seu Ki antes que ele possa completar seu movimento ou você dará a ele maus hábitos. Esforce-se sempre com palavras e atitudes para instigá-lo no Ki correto e na arte do Aikidô.
12) Faça qualquer coisa com confiança. Nós estudamos todo o princípio do universo e o praticamos, e o universo nos protege. Não há nada para se ter dúvidas ou medo. Convicção real vem da crença que somos uno com o universo. Temos que ter a coragem de dizer com Confucio: Se eu tenho uma consciência leve, eu encaro um inimigo com dez mil homens.
(Extraído do Aikido in Daily Life. Trad, Kendi Chikude)
1) Aikidô nos revela o caminho para unificação com o universo. O maior propósito do treinamento em Aikidô é coordenar mente e espírito e tornar-se uno com a própria natureza.
Como a natureza ama e protege toda a criação e ajuda todas as coisas a crescer e desenvolve, devemos ensinar cada estudante com sinceridade, sem discriminação ou parcialidade.
2) Não há discordância na verdade absoluta do universo, mas há discordância no domínio da verdade relativa. Combater contra outros e vencer somente traz vitória relativa. Não combater e ainda vencer traz vitória absoluta. Ganhar uma vitória relativa conduz mais cedo ou mais tarde para inevitável derrota.
Enquanto estiver praticando para se tornar mais forte, aprenda como você pode evitar o combate. Você irá progredir muito rapidamente através do aprendizado para arremessar seu oponente tendo prazer, e ser arremessado tendo prazer também, e pela ajuda mútua para aprender técnicas corretamente.
3) Não critique qualquer outra Arte Marcial. A montanha não ri do rio que é mais modesto, nem o rio fala mal da montanha porque ela não pode se mover. Cada pessoa possui suas características e ganha sua posição na vida. Fale mal de outros e certamente isso retornará para você.
4) As artes marciais começam e terminam com cordialidade, não na forma sozinha, mas no coração assim como na mente. Respeite o professor que o ensinou e não pare de ser grato especialmente para o fundador do Aikidô que mostrou o caminho. Aquele que negligencia isso não deveria se surpreender se seus estudantes fizerem pouco caso dele.
5) Esteja avisado contra presunções. Presunções não seguram somente seu progresso, elas causam sua regressão. A natureza não possui limites, seus princípios são profundos.
O que leva a presunções? Presunções são causadas por pensamentos baixos e um compromisso malfeito com nossos ideais.
6) Cultive uma mente calma que vem da parte universal do corpo pela concentração de seus pensamentos no ponto um no abdome inferior. Você deve saber que é uma vergonha Ter a mente fechada. Não dispute com outros meramente para defender seu ponto de vista. Certo é certo. Errado é errado. Julgue calmamente o que é certo e o que é errado. Se você está convencido que você está errado, faça correções corajosamente. Se você encontra alguém que é seu superior, aceite seus ensinamentos alegremente. Se qualquer um está errando, explique-lhe em silêncio a verdade, e esforce-se para que ele possa entender.
7) Até mesmo um verme de dois centímetros tem um espírito de um centímetro. Cada pessoa respeita seu próprio ego. Portanto não desrespeite ninguém nem machuque o respeito dele a si mesmo. Trate a pessoa com respeito, e ela o respeitará. Faça pouco caso delas que ela fará pouco caso de você. Respeite sua personalidade e escute ponto de vista dela, e ela o seguirá contentemente.
8) Não fique nervoso. Se você ficar nervoso significa que sua mente saiu do ponto um no abdome inferior. A raiva é algo de se ter vergonha no Aikidô. Não fique nervoso por você mesmo. Fique nervoso somente quando os direitos da natureza ou de seu país estão em perigo. Concentre no ponto um, e fique nervoso no ponto um. Saiba que quem fica nervoso facilmente perde coragem nos momentos importantes.
9) Não poupe esforços enquanto estiver ensinando. Você avança quando seus estudantes avançam. Não seja impaciente quando estiver ensinando. Ninguém pode aprender bem em uma vez. Perseverança é um ensinamento importante, assim como paciência, gentileza, e a habilidade de se colocar no lugar do seu aluno.
10) Não seja instrutor arrogante. Os alunos avançam no conhecimento quando obedecem a seu instrutor. Uma característica especial no treinamento em Ki é que o instrutor avança quando está ensinando seus alunos. Treinamento requer uma atmosfera de respeito mútuo entre instrutor e seus alunos. Se você vê um homem arrogante, você vê um homem com pensamentos baixos.
11) Quando praticar não demonstre seu poder sem um bom propósito temendo que você cause resistência na mente daqueles que o observam. Não discuta sobre poder, mas ensine da maneira correta. Palavras sozinhas não podem explicar. Em algumas vezes, ao ser aquele a ser arremessado, você pode ensinar com maior eficiência. Não pare o arremesso do seu aluno no meio do caminho ou pare seu Ki antes que ele possa completar seu movimento ou você dará a ele maus hábitos. Esforce-se sempre com palavras e atitudes para instigá-lo no Ki correto e na arte do Aikidô.
12) Faça qualquer coisa com confiança. Nós estudamos todo o princípio do universo e o praticamos, e o universo nos protege. Não há nada para se ter dúvidas ou medo. Convicção real vem da crença que somos uno com o universo. Temos que ter a coragem de dizer com Confucio: Se eu tenho uma consciência leve, eu encaro um inimigo com dez mil homens.
(Extraído do Aikido in Daily Life. Trad, Kendi Chikude)
Hara, Zen e Tesshu Yamaoka
A moderna medicina informa que de 80 a 90% de todas as doenças são causadas por stress no sistema nervoso. Entre as doenças causadas pelo stress estão problemas no estômago e intestino, problemas de coração, fígado e rins, pressão alta e diabetes.
Recentemente, as mudanças na política econômica e circunstâncias sociais estão desconcertantes, e a poluição do ar, poluição sonora, e a poluição de todo o meio-ambiente estão aumentando. O sistema nervoso não pode lidar com tudo isso. As pessoas estão ficando exaustas e tensas, e pulam ao menor ruído e exaltam-se com pequenos problemas. I stress crece, e eventualmente resulta em colapso nervoso, algumas vezes do corpo. Gradualmente o sistema nervoso está entorpecendo e ficando amortecido com tudo isso.
A palavra japonesa "hara", refedere-se ao modo de manter-se calmo. o centro inamovível com o ponto um. Isso refere-se ao modo de pensar e sentir a partir do ponto um no baixo abdômen em vez de a partir da cabeça. Vivendo deste modo, pode-se estar em paz consigo mesmo e com o mundo não importando o quão caótica as coisas fiquem. A história de Tesshu Yamaoka, um mestre espadachim que viveu nos últimos tempos do governo Tokugawa, no Japão do século 19, ilustra com sua vida.
Tesshu Yamaoka não se treinou apenas na arte da espada, mas também praticou Zen durante toda a sua vida. Sua vida estava comprometida na resolução dos problemas do espírito. Apesar de ter vivido em uma época turbulenta e ser um mestre espadachim, Tesshu Yamaoka nunca matou ninguém durante toda sua vida. Pode-se imaginar a calma, o quão não divergente, e confiante ele devia ter sido.
Um dia, Tesshu Yamaoka estava caminhando por uma estrada regional com vários outros homens quando foram apanhados por uma súbita tempestade. Relâmpagos iluminando o céu, trovões movendo o ar. Em seus corações, todos, menos Tesshu Yamaoka, queriam procurar proteção da chuva sob o teto de alguma casa. Mas porque ninguém queria ser o primeiro a sugerir isso, eles continuaram a caminhar obstinadamente sob a tempestade, pretendendo que ela não os detivesse. Subitamente, acompanhado por um barulhento estrondo de trovão, um raio caiu muito próximo a eles. Atemorizados, eles foram ao chão. Se todos tivessem feito isso pareceria perfeitamente natural e a única coisa a se fazer, mas um dos homens tinham permanecido parado apenas com os braços cruzados. Foi Tesshu Yamaoka. Seus espantados companheiros perguntaram: "Você não ficou surpreso?". Yamaoka respondeu entristecido, "Não, eu não tive tempo de ficar surpreso. Aconteceu rápido demais". A maioria de nós fica assustada porque as coisas acontecem rápido demais, sem necessidade e temos reações anxiosas e exageradas. Tesshu Yamaoka estava sempre praticando e vivendo o Zen. Então, no momento que o raio explodiu, sua mente e seu corpo estavam naturalmente unificados. Por causa disso o raio e o trovão desapareceram no seu ponto um, e ele não teve tempo de ficar surpreso.
Praticando Ki no Toitsuho com avidez e diligentemente, podemos desenvolver um verdadeiro hara.(contado por Tohei sensei em How to unify Ki)
Recentemente, as mudanças na política econômica e circunstâncias sociais estão desconcertantes, e a poluição do ar, poluição sonora, e a poluição de todo o meio-ambiente estão aumentando. O sistema nervoso não pode lidar com tudo isso. As pessoas estão ficando exaustas e tensas, e pulam ao menor ruído e exaltam-se com pequenos problemas. I stress crece, e eventualmente resulta em colapso nervoso, algumas vezes do corpo. Gradualmente o sistema nervoso está entorpecendo e ficando amortecido com tudo isso.
A palavra japonesa "hara", refedere-se ao modo de manter-se calmo. o centro inamovível com o ponto um. Isso refere-se ao modo de pensar e sentir a partir do ponto um no baixo abdômen em vez de a partir da cabeça. Vivendo deste modo, pode-se estar em paz consigo mesmo e com o mundo não importando o quão caótica as coisas fiquem. A história de Tesshu Yamaoka, um mestre espadachim que viveu nos últimos tempos do governo Tokugawa, no Japão do século 19, ilustra com sua vida.
Tesshu Yamaoka não se treinou apenas na arte da espada, mas também praticou Zen durante toda a sua vida. Sua vida estava comprometida na resolução dos problemas do espírito. Apesar de ter vivido em uma época turbulenta e ser um mestre espadachim, Tesshu Yamaoka nunca matou ninguém durante toda sua vida. Pode-se imaginar a calma, o quão não divergente, e confiante ele devia ter sido.
Um dia, Tesshu Yamaoka estava caminhando por uma estrada regional com vários outros homens quando foram apanhados por uma súbita tempestade. Relâmpagos iluminando o céu, trovões movendo o ar. Em seus corações, todos, menos Tesshu Yamaoka, queriam procurar proteção da chuva sob o teto de alguma casa. Mas porque ninguém queria ser o primeiro a sugerir isso, eles continuaram a caminhar obstinadamente sob a tempestade, pretendendo que ela não os detivesse. Subitamente, acompanhado por um barulhento estrondo de trovão, um raio caiu muito próximo a eles. Atemorizados, eles foram ao chão. Se todos tivessem feito isso pareceria perfeitamente natural e a única coisa a se fazer, mas um dos homens tinham permanecido parado apenas com os braços cruzados. Foi Tesshu Yamaoka. Seus espantados companheiros perguntaram: "Você não ficou surpreso?". Yamaoka respondeu entristecido, "Não, eu não tive tempo de ficar surpreso. Aconteceu rápido demais". A maioria de nós fica assustada porque as coisas acontecem rápido demais, sem necessidade e temos reações anxiosas e exageradas. Tesshu Yamaoka estava sempre praticando e vivendo o Zen. Então, no momento que o raio explodiu, sua mente e seu corpo estavam naturalmente unificados. Por causa disso o raio e o trovão desapareceram no seu ponto um, e ele não teve tempo de ficar surpreso.
Praticando Ki no Toitsuho com avidez e diligentemente, podemos desenvolver um verdadeiro hara.(contado por Tohei sensei em How to unify Ki)
O poder para encontrar mesmo no fogo o frio
No passado, um famoso monge Zen chamado Kaisen viveu na região de Kai, no Japão. Era um tempo de guerra, e quando os soldados inimigos atacaram o tempo e o incendiaram, Kaisen não fugiu do templo. Ele sentou-se imóvel, em estado meditativo e disse: "Clareie sua mente de todos os pensamentos mundanos, e encontre mesmo no fogo o frio". Dizendo isso ele foi queimado até a morte junto com seu templo.
A frase "clareie sua mente e todos os pensamentos mundanos", não significar sair de si para a religião ou outra ilusão material. Isso significa vir para um infinito pequeno ponto consigo inteiro, coração, mente, e força. Nesse estado se é/está seu verdadeiro eu e se compreende o poder para "encontrar mesmo no fogo o frio". (contado por Tohei sensei em How to unify Ki)
A frase "clareie sua mente e todos os pensamentos mundanos", não significar sair de si para a religião ou outra ilusão material. Isso significa vir para um infinito pequeno ponto consigo inteiro, coração, mente, e força. Nesse estado se é/está seu verdadeiro eu e se compreende o poder para "encontrar mesmo no fogo o frio". (contado por Tohei sensei em How to unify Ki)
Relações entre o método de Tohei sensei e outras tradições
O conceito de tornar-se um com o universo é bom não é privilégio de Tohei sensei, existindo em outras tradições, como o budismo tibetano ( Lama Govinda
) e no budismo japonês,
tão presente na formação do ideário do guerreiro. Dogen, assim como Takuan (A mente não-mente;
Onde localizar a mente}
foram fundamentais ao desenvolvimento de métodos que ultrapassavam a questão técnica e à matança. No caso de Tohei sensei, há a preocupação de simplificar
e não mistificar o processo (tanto Ki-Aikido [kengi
e jogi], Toitsudo, Kiatsu ryuho, Shodo, Chado etc) para, desse modo, possibilitar a todos existir unos com o universo.
) e no budismo japonês,
tão presente na formação do ideário do guerreiro. Dogen, assim como Takuan (A mente não-mente;
Onde localizar a mente}
foram fundamentais ao desenvolvimento de métodos que ultrapassavam a questão técnica e à matança. No caso de Tohei sensei, há a preocupação de simplificar
e não mistificar o processo (tanto Ki-Aikido [kengi
e jogi], Toitsudo, Kiatsu ryuho, Shodo, Chado etc) para, desse modo, possibilitar a todos existir unos com o universo.
segunda-feira, junho 05, 2006
Fórum - Vamos ajudar uns aos outros a crescer
Logo abaixo dos links, temos um fórum que está aí pra ser usado. Quanto mais pudermos conversar a respeito das informações aqui postadas e corrigir deslizes e aprofundar conhecimentos, melhor no capacitaremos à prática. Como diz Tohei sensei, o mero conhecimento teórico não basta, é preciso a prática. Mas, ele mesmo afirma que experimenta as informações e, a partir da eficiência e praticidade, aproveita os saberes. Dúvidas, informações, novidas, por favor, usem o fórum e vamos, desse modo, ajudar um ao outro a crescer como um melhor ser humano.
Entrevista sobre Shobogenzo – Soku Shin Ze Butsu 1
Entrevista sobre Shobogenzo – Soku Shin Ze Butsu 1
por Mike Luechtfordem
8/2/2000
O próximo capítulo é Soku-shin-ze-butsu., “Mente aqui e agora é Buda”. Este é um capítulo muito interessante porque a “mente” é central na civilização ocidental. Tendemos a pensar que “mente aqui e agora é Buda” significa que, quando nossa mente está aqui e agora, então somos Buda. Porém o significado real é mais sutil que isso, é o que o Mestre Dogen explica nesse capítulo. O segundo ideograma em chinês “shin” significa coração. Mas em japonês, por exemplo, coração e mente são a mesma coisa. Portanto os japoneses apontam para seus corações quando querem dizer “em minha mente”.
Comentário: Na verdade faz mais sentido para mim. Alguém me disse há alguns anos atrás, acho que quando estava falando sobre os chineses, que havia uma frase sobre esse assunto, você não sabe sobre algo realmente a não ser que você o tenha sentido.
Tudo bem, mas nosso cérebro está na nossa cabeça não é mesmo? Portanto dessa maneira o jeito que os japoneses pensaram sobre o coração ser o centro parece muito estranho. Mas para eles, a idéia de que as emoções estão na sua cabeça lhes parece estranho. No ocidente nós tendemos a separar o intelecto das emoções, eu não estou seguro se esta separação continua a ser válida. Afirmo isso pois a ciência não está totalmente segura sobre quais são as diferenças entre pensamentos e emoções. O que é um pensamento e o que é uma emoção? De qualquer forma, podemos esperar que as coisas possam ficar mais esclarecidas. Eu lerei sobre a introdução do começo deste capítulo:
Soku significa “aqui e agora”, Shin significa “mente”, Ze significa “é”, Butsu significa “Buda”. O princípio do Soku-shin-ze-butsu, ou “mente aqui e agora é Buda” é muito famoso no Budismo, mas muitas pessoas têm interpretado o princípio para sustentar crenças do naturalismo.
“Naturalismo” nesse caso significa o tipo de sentimento que nossa mente está sempre aqui, portanto está tudo bem enquanto estivermos.
Dizem que se nossa mente aqui e agora é Buda nossa conduta deve sempre ser correta., e nesse caso não há necessidade de fazer qualquer esforço para entender ou compreender Budismo.
Comentário: Interpretação do Zen Budismo muito comum na década de 1960 pelos norte-americanos. Um tipo de interpretação de hippies sobre esse assunto.
Sim, a interpretação da geração da moda.
Comentário: Sim, eu não diria isso (inaudível) porque sinto geralmente que há uma interpretação popular (inaudível)
Sim certamente os anos 60 houve um sentimento que está tudo bem enquanto estivermos, como uma reação sobre o forte moralismo cristão, você sabe, nós somos terríveis e tudo mais.
Comentário: Sim, eles usaram algumas citações Zen para suportá-los.
Entretanto essa interpretação é um grande erro. O princípio soku-shin-ze-butsu, “mente aqui e agora é Buda”, deve ser entendido não pelo ponto de vista do intelecto, mas sim pelo ponto de vista da prática. Em outras palavras, o princípio não significa crença em algo espiritual chamada “mente” mas afirma que o tempo “agora” e o lugar “aqui” como realidade propriamente dita. Este tempo e lugar deve sempre ser absoluto e correto, e assim podemos chamar de a verdade ou “Buda”.
Essa introdução dizendo que a mente aqui e agora é Buda significa que estar no momento presente é Buda. Estar presente é Buda, estar aqui e agora é Buda. Então mesmo o Mestre Dogen, como veremos adiante, na verdade cita algumas interpretações erradas da frase soku-shin-ze-butsu que é uma frase muito famosa mesmo antes de nossos tempos, em uma tentativa de conduzir para o que a frase realmente significa.
O que cada Buda e cada patriarca tem mantido e contado com , sem exceções, é somente “mente aqui e agora é Buda”. Entretanto muitos estudantes interpretam erroneamente que “mente aqui e agora é Buda” não existiu na Índia, mas foi primeiramente escutada na China. Como resultado, eles não reconhecem seu erro como um erro. Devido a não reconhecer seu erro como um erro, muitos caem no não-Budismo.
Houveram muitas discussões sobre que partes do Budismo vieram da Índia, e quais partes vieram da China. Houveram muitas discussões sobre quais sutras foram realmente originais do Budismo inicial, e quais deles foram escritos mais tardes. E eu não sei muito sobre isso, mas acredito que o Mestre Dogen está dizendo que houveram pessoas que pensaram que isso era uma nova maneira de interpretar o Budismo. Do mesmo modo que algumas pessoas pensam que Zen é algo que vem do Japão. A palavra “Zen” é certamente algo que vem do Japão , mas a prática é algo que vem do Budismo original.
Quando pessoas estúpidas escutam conversas sobre “mente aqui e agora é Buda”, interpretam que seres comuns, intelectualizam e sentem percepção, que nunca estabeleceram o corpo-mente, apenas são Buda.
Portanto eles pensam que o intelecto e senso de percepção de pessoas comuns que nunca praticaram Zazen estabeleceram o corpo-mente (o corpo-mente significa a mente que atinge a verdade, e mais uma vez temos que ter cuidado com o significado da palavra “mente”.), portanto o que ele está dizendo que muitas pessoas pensam que pessoas comuns apenas são Buda porque suas mentes somente estão aqui e agora.
Isso ocorre por nunca terem encontrado um verdadeiro professor. A razão em afirmar que eles se tornaram não-Budistas é que existiu um não-Budista na Índia chamado Senika., seu ponto de vista é expressado da seguinte forma:
As grandes partes que seguem em itálico é a visão de Senika.
Pergunta: Há uma citação específica ou não?
Eu não acredito. Algumas vezes não podemos rastrear as citações, e nesse caso não fomos capazes de encontrar a origem das citações. Se é uma citação direta ou se é uma recordação literal do Mestre Dogen, mas no Shobogenzo em japonês, está escrito em ideogramas chineses, portanto os colocamos em itálico. Porém de onde vieram não é conhecido. Se pudéssemos encontrar, geralmente é colocado nas observações de rodapé. Eu devo continuar com isso? Irei ler sobre isso porque é uma representação de um ponto de vista errado:
A grande verdade existe agora em nosso próprio corpo, para que assim possamos reconhecer facilmente sua situação. Em outras palavras, (uma inteligência espiritual) diferencia entre dor e prazer, naturalmente sente frio e calor, reconhece desconforto e irritação. (A inteligência espiritual) não é nem restrita por uma miríade de coisas ou conectada com circunstâncias: coisas vêm e vão circunstâncias surgem e passam, mas a inteligência espiritual sempre permanece,
Seria mais como a alma.
sem mudança. Esta inteligência espiritual está em toda nossa volta, permeando toda almas – comuns e sagradas- sem distinção. No seu interior, flores ilusórias no espaço existem pelo tempo,
“Flores ilusórias no espaço” é uma maneira de conversar sobre ilusões ou desilusões.,
mas quando aparecem discernimentos momentâneos e coisas e circunstâncias desapareceram , então a inteligência espiritual, a essência original, é facilmente reconhecida sozinha, pacífica e eterna. Apesar da forma física pode estar quebrada, a inteligência espiritual parte inquebrável ,
em outras palavras, a alma é separada do corpo
como ocorre quando a casa queima no fogo, o dono da casa sai. Esta presença espiritual clara e verdadeira é chamada “a essência da percepção e inteligência”. Também é descrita como “Buda”, e chamada “iluminação”. Inclui ambos o sujeito e o objeto, e permeia ambos desilusão e iluminação. Portanto permite a miríade de Dharmas e todas circunstâncias serem como elas são. A inteligência espiritual não coexiste com circunstâncias e não é o mesmo que coisas. Ela tolera constantemente passando através de Kalpas.
Um “Kalpa”é uma palavra em sânscrito para um grande período de tempo. Eu acredito que é o período de tempo que leva para um anjo gotejar água sobre uma rocha para desgastar a rocha ou algo como isso.
Também podemos chamar as circunstâncias que existem no presente “real”, desde que derivem da existência da inteligência espiritual: como são condições surgidas da essência original, são coisas reais.
Na verdade aproxima-se a Hegel, conclusão final de Hegel.
Mesmo assim, não são eternas como a inteligência espiritual, pois elas existem e desaparecem. A Inteligência espiritual não se relaciona com clareza e escuridão, pois conhece espiritualidade. Chamamos de “inteligência espiritual”, também chamamos de “a própria verdade”. Chamamos como “a base do despertar”, chamamos de “essência original”, e chamamos de “substância original”. Alguém que percebe essa essência original é dito que retornou a eternidade e é chamado um grande homem que retornou para a verdade. Após isso, ele não vagueia mais pelos ciclo da vida e da morte, ele experimenta e entra no oceano essencial onde não há nem aparecimento ou desaparecimento. Não há nenhuma realidade além dessa, mas enquanto a essência original não emergiu, os três mundos e seis estados são ditos que surgirão em competição.
Os “três mundos” e os “seis estados” estão nos rodapés, eles surgiram antes.
Esta é, portanto, a visão do não-Budista Senika.
Portanto é uma visão atrativa mas é uma mera teoria.
Comentário: Seria muito próximo a lógica da yoga, não é?
Comentário: Sim, seria interessante saber o que as palavras em sânscrito são nelas.
No original?
Comentário: Sim, para ver se elas correspondem a palavra (inaudível) naquela filosofia.
Ah sim, o Mestre Dogen não escreveu nenhuma palavra em sânscrito no seu original mas o kanji pode ser rastreado para os significados em sânscrito. Mas não sei o que eles são aqui.
Comentário: Isso é um pouco de discurso retórico não é?
Sim, absolutamente. Mestre Dogen não diz algo a mais do que “esta é portanto a visão do não-Budista Senika”. Ele não comenta nada mais do que isso. Ele prefere ir por uma estória longa, a estória avança a próxima página e talvez devêssemos parar por aqui, não é mesmo? Muito obrigado.
Trad. Kendi Chikude.
por Mike Luechtfordem
8/2/2000
O próximo capítulo é Soku-shin-ze-butsu., “Mente aqui e agora é Buda”. Este é um capítulo muito interessante porque a “mente” é central na civilização ocidental. Tendemos a pensar que “mente aqui e agora é Buda” significa que, quando nossa mente está aqui e agora, então somos Buda. Porém o significado real é mais sutil que isso, é o que o Mestre Dogen explica nesse capítulo. O segundo ideograma em chinês “shin” significa coração. Mas em japonês, por exemplo, coração e mente são a mesma coisa. Portanto os japoneses apontam para seus corações quando querem dizer “em minha mente”.
Comentário: Na verdade faz mais sentido para mim. Alguém me disse há alguns anos atrás, acho que quando estava falando sobre os chineses, que havia uma frase sobre esse assunto, você não sabe sobre algo realmente a não ser que você o tenha sentido.
Tudo bem, mas nosso cérebro está na nossa cabeça não é mesmo? Portanto dessa maneira o jeito que os japoneses pensaram sobre o coração ser o centro parece muito estranho. Mas para eles, a idéia de que as emoções estão na sua cabeça lhes parece estranho. No ocidente nós tendemos a separar o intelecto das emoções, eu não estou seguro se esta separação continua a ser válida. Afirmo isso pois a ciência não está totalmente segura sobre quais são as diferenças entre pensamentos e emoções. O que é um pensamento e o que é uma emoção? De qualquer forma, podemos esperar que as coisas possam ficar mais esclarecidas. Eu lerei sobre a introdução do começo deste capítulo:
Soku significa “aqui e agora”, Shin significa “mente”, Ze significa “é”, Butsu significa “Buda”. O princípio do Soku-shin-ze-butsu, ou “mente aqui e agora é Buda” é muito famoso no Budismo, mas muitas pessoas têm interpretado o princípio para sustentar crenças do naturalismo.
“Naturalismo” nesse caso significa o tipo de sentimento que nossa mente está sempre aqui, portanto está tudo bem enquanto estivermos.
Dizem que se nossa mente aqui e agora é Buda nossa conduta deve sempre ser correta., e nesse caso não há necessidade de fazer qualquer esforço para entender ou compreender Budismo.
Comentário: Interpretação do Zen Budismo muito comum na década de 1960 pelos norte-americanos. Um tipo de interpretação de hippies sobre esse assunto.
Sim, a interpretação da geração da moda.
Comentário: Sim, eu não diria isso (inaudível) porque sinto geralmente que há uma interpretação popular (inaudível)
Sim certamente os anos 60 houve um sentimento que está tudo bem enquanto estivermos, como uma reação sobre o forte moralismo cristão, você sabe, nós somos terríveis e tudo mais.
Comentário: Sim, eles usaram algumas citações Zen para suportá-los.
Entretanto essa interpretação é um grande erro. O princípio soku-shin-ze-butsu, “mente aqui e agora é Buda”, deve ser entendido não pelo ponto de vista do intelecto, mas sim pelo ponto de vista da prática. Em outras palavras, o princípio não significa crença em algo espiritual chamada “mente” mas afirma que o tempo “agora” e o lugar “aqui” como realidade propriamente dita. Este tempo e lugar deve sempre ser absoluto e correto, e assim podemos chamar de a verdade ou “Buda”.
Essa introdução dizendo que a mente aqui e agora é Buda significa que estar no momento presente é Buda. Estar presente é Buda, estar aqui e agora é Buda. Então mesmo o Mestre Dogen, como veremos adiante, na verdade cita algumas interpretações erradas da frase soku-shin-ze-butsu que é uma frase muito famosa mesmo antes de nossos tempos, em uma tentativa de conduzir para o que a frase realmente significa.
O que cada Buda e cada patriarca tem mantido e contado com , sem exceções, é somente “mente aqui e agora é Buda”. Entretanto muitos estudantes interpretam erroneamente que “mente aqui e agora é Buda” não existiu na Índia, mas foi primeiramente escutada na China. Como resultado, eles não reconhecem seu erro como um erro. Devido a não reconhecer seu erro como um erro, muitos caem no não-Budismo.
Houveram muitas discussões sobre que partes do Budismo vieram da Índia, e quais partes vieram da China. Houveram muitas discussões sobre quais sutras foram realmente originais do Budismo inicial, e quais deles foram escritos mais tardes. E eu não sei muito sobre isso, mas acredito que o Mestre Dogen está dizendo que houveram pessoas que pensaram que isso era uma nova maneira de interpretar o Budismo. Do mesmo modo que algumas pessoas pensam que Zen é algo que vem do Japão. A palavra “Zen” é certamente algo que vem do Japão , mas a prática é algo que vem do Budismo original.
Quando pessoas estúpidas escutam conversas sobre “mente aqui e agora é Buda”, interpretam que seres comuns, intelectualizam e sentem percepção, que nunca estabeleceram o corpo-mente, apenas são Buda.
Portanto eles pensam que o intelecto e senso de percepção de pessoas comuns que nunca praticaram Zazen estabeleceram o corpo-mente (o corpo-mente significa a mente que atinge a verdade, e mais uma vez temos que ter cuidado com o significado da palavra “mente”.), portanto o que ele está dizendo que muitas pessoas pensam que pessoas comuns apenas são Buda porque suas mentes somente estão aqui e agora.
Isso ocorre por nunca terem encontrado um verdadeiro professor. A razão em afirmar que eles se tornaram não-Budistas é que existiu um não-Budista na Índia chamado Senika., seu ponto de vista é expressado da seguinte forma:
As grandes partes que seguem em itálico é a visão de Senika.
Pergunta: Há uma citação específica ou não?
Eu não acredito. Algumas vezes não podemos rastrear as citações, e nesse caso não fomos capazes de encontrar a origem das citações. Se é uma citação direta ou se é uma recordação literal do Mestre Dogen, mas no Shobogenzo em japonês, está escrito em ideogramas chineses, portanto os colocamos em itálico. Porém de onde vieram não é conhecido. Se pudéssemos encontrar, geralmente é colocado nas observações de rodapé. Eu devo continuar com isso? Irei ler sobre isso porque é uma representação de um ponto de vista errado:
A grande verdade existe agora em nosso próprio corpo, para que assim possamos reconhecer facilmente sua situação. Em outras palavras, (uma inteligência espiritual) diferencia entre dor e prazer, naturalmente sente frio e calor, reconhece desconforto e irritação. (A inteligência espiritual) não é nem restrita por uma miríade de coisas ou conectada com circunstâncias: coisas vêm e vão circunstâncias surgem e passam, mas a inteligência espiritual sempre permanece,
Seria mais como a alma.
sem mudança. Esta inteligência espiritual está em toda nossa volta, permeando toda almas – comuns e sagradas- sem distinção. No seu interior, flores ilusórias no espaço existem pelo tempo,
“Flores ilusórias no espaço” é uma maneira de conversar sobre ilusões ou desilusões.,
mas quando aparecem discernimentos momentâneos e coisas e circunstâncias desapareceram , então a inteligência espiritual, a essência original, é facilmente reconhecida sozinha, pacífica e eterna. Apesar da forma física pode estar quebrada, a inteligência espiritual parte inquebrável ,
em outras palavras, a alma é separada do corpo
como ocorre quando a casa queima no fogo, o dono da casa sai. Esta presença espiritual clara e verdadeira é chamada “a essência da percepção e inteligência”. Também é descrita como “Buda”, e chamada “iluminação”. Inclui ambos o sujeito e o objeto, e permeia ambos desilusão e iluminação. Portanto permite a miríade de Dharmas e todas circunstâncias serem como elas são. A inteligência espiritual não coexiste com circunstâncias e não é o mesmo que coisas. Ela tolera constantemente passando através de Kalpas.
Um “Kalpa”é uma palavra em sânscrito para um grande período de tempo. Eu acredito que é o período de tempo que leva para um anjo gotejar água sobre uma rocha para desgastar a rocha ou algo como isso.
Também podemos chamar as circunstâncias que existem no presente “real”, desde que derivem da existência da inteligência espiritual: como são condições surgidas da essência original, são coisas reais.
Na verdade aproxima-se a Hegel, conclusão final de Hegel.
Mesmo assim, não são eternas como a inteligência espiritual, pois elas existem e desaparecem. A Inteligência espiritual não se relaciona com clareza e escuridão, pois conhece espiritualidade. Chamamos de “inteligência espiritual”, também chamamos de “a própria verdade”. Chamamos como “a base do despertar”, chamamos de “essência original”, e chamamos de “substância original”. Alguém que percebe essa essência original é dito que retornou a eternidade e é chamado um grande homem que retornou para a verdade. Após isso, ele não vagueia mais pelos ciclo da vida e da morte, ele experimenta e entra no oceano essencial onde não há nem aparecimento ou desaparecimento. Não há nenhuma realidade além dessa, mas enquanto a essência original não emergiu, os três mundos e seis estados são ditos que surgirão em competição.
Os “três mundos” e os “seis estados” estão nos rodapés, eles surgiram antes.
Esta é, portanto, a visão do não-Budista Senika.
Portanto é uma visão atrativa mas é uma mera teoria.
Comentário: Seria muito próximo a lógica da yoga, não é?
Comentário: Sim, seria interessante saber o que as palavras em sânscrito são nelas.
No original?
Comentário: Sim, para ver se elas correspondem a palavra (inaudível) naquela filosofia.
Ah sim, o Mestre Dogen não escreveu nenhuma palavra em sânscrito no seu original mas o kanji pode ser rastreado para os significados em sânscrito. Mas não sei o que eles são aqui.
Comentário: Isso é um pouco de discurso retórico não é?
Sim, absolutamente. Mestre Dogen não diz algo a mais do que “esta é portanto a visão do não-Budista Senika”. Ele não comenta nada mais do que isso. Ele prefere ir por uma estória longa, a estória avança a próxima página e talvez devêssemos parar por aqui, não é mesmo? Muito obrigado.
Trad. Kendi Chikude.
ENTREVISTA COM KOICHI TOHEI (1996)
ENTREVISTA COM KOICHI TOHEIO que é o verdadeiro Aikidô?
Por Stanley Pranin
Entrevista realizada no dia 8 de fevereiro de 1996 no QG do Ki Society em Tóquio)
Perfil de Koichi Tohei
Nascido em Tóquio em 1920, mudou-se ainda muito jovem para cidade de Tochigi onde passou sua adolescência. Possuía uma saúde muito frágil que o forçava a ir freqüentemente ao hospital. Iniciou seu treinamento em Judô devido à insistência de seu pai. Conseguiu fortalecer seu corpo até um certo nível, aos quinze anos recebeu a faixa preta e aos dezesseis anos entrou no programa preparatório da Universidade Keio. Continuou praticando judô com entusiasmo, mas contraiu uma pleurisia devido ao treinamento excessivo e foi forçado a deixar a escola por um ano. Durante esse período, ele se dedicou ao treinamento de método de respiração Misogi, Zen e outros tipos de disciplinas.
Aos dezenove anos conheceu Morihei Ueshiba e tornou-se seu estudante. Em um curto período de meio ano ele se tornou o representante do fundador (Dairi), sem ainda receber nenhuma graduação no Aikidô foi enviado para ensinar na Academia de Polícia de Nakano e na escola particular de Shumei Okawa.
Aos 23 anos ele foi convocado para o serviço militar e aprendeu sob fogo o segredo de direcionar o ki para o ponto um no abdome inferior (seika no itten).
Entre 1953 e 1971 ele visitou os Estados unidos por quinze ocasiões para ensinar e difundir Aikidô e os princípios de Ki. Tohei recebeu o décimo dan em Aikidô em 1969. Ele ocupou o cargo de Diretor do Shihan (Shihan Bucho) e Diretor (Riji) do Aikikai até deixar esta organização em 1974.
Tohei estabeleceu a Ki Society (Ki no Kenkyukai) em 1971 (reconhecida em 1977 como organização sem fins lucrativos), da qual é presidente até hoje. A Ki Society é a única organização especializada no treinamento em ki sem fins lucrativos no Japão a ser reconhecido pelo Ministério Público do Bem-Estar.
Unificação da Mente e Corpo (Shin Shin Toitsu) e Ueshiba Sensei
Ueshiba Sensei foi uma pessoa que mostrou o que significa a existência em um estado relaxado, possuir o Ki verdadeiro, e unificar a mente e corpo. Sua postura era sólida como uma rocha e você não seria capaz de movê-lo não importando a maneira de empurrá-lo ou puxá-lo; entretanto ele era capaz de me arremessar sem nenhum esforço sem permitir que eu sentisse que ele estava usando qualquer esforço. Eu estava abismado que pudesse realmente existir uma pessoa como essa no mundo. Ueshiba Sensei ensinou-me que o estado relaxado é o mais poderoso, ele era a prova viva disso.
Eu não acredito que atualmente exista uma pessoa capaz de demonstrar do mesmo modo do Ueshiba Sensei. Essa qualidade maravilhosa que ele sofreu tanto para desenvolver (desconsiderando as histórias sobre ele ter arrancado pinheiros do chão, e outras histórias falsas) é o que ele deveria tentar deixar para as gerações futuras.
Por que Ueshiba Sensei proibiu shiai (combate)
Ueshiba Sensei não permitia combates. Em um combate real o objetivo é privar seu oponente absoluta e completamente de seu poder; não cumprindo a isso você não pode declarar vitória. Por outro lado o shiai moderno é regulamentado por regras para a preservação da segurança e das vidas dos combatentes, e sob essas regras a vitória e a derrota são determinadas.
Esses combates são na verdade esportes e, portanto, não são realmente shiai na sua verdadeira essência. Judô , por exemplo, foi desenvolvido para que os participantes levantem-se do tatame após serem derrubados por diversas vezes. Isso só é possível porque o Judô é um esporte, se ocorresse na realidade isso não aconteceria.
No passado, shiai significava que ou você tentasse matar ou ferir gravemente seu oponente, ou pelo menos incapacitá-lo para não conseguir reagir. Caso isso não ocorresse o confronto seria considerado inacabado sem um vencedor.
Budô, por sua natureza, não envolve combate competitivo. Caso você examine o ideograma chinês você encontrará o significado literal “o caminho de parar a arma”. Você abaixa sua arma ao mesmo tempo que seu inimigo abaixa a dele. Em outras palavras, derrotar pessoas não é o objetivo, ao invés disso, Budô é a conclusão e o aperfeiçoamento de si próprio. Assim dizia sempre Ueshiba Sensei.
Para manter nossa segurança e preservar nossas vidas temos que estabelecer regras.
Porém ao decidir vitória e derrota com essas regras nos coloca automaticamente no domínio dos esportes. Ueshiba Sensei foi inflexível por toda sua vida afirmando que Aikidô é um Budô e não um esporte.
O que Ueshiba Sensei ensinou
Ueshiba Sensei nunca ensinou em termos concretos enquanto ele pesava profundamente sobre esses princípios fundamentais do Budô. Quando estávamos treinando ele vinha e nos dizia “coloque alguma potência nisso”. Contudo ele mesmo demonstrava técnicas totalmente relaxado! Em outras palavras, o que ele dizia e o que fazia eram completamente diferentes.
Ele também dizia coisas fantásticas como , “Os deuses transformaram em fumaça e entraram no meu corpo”, e “Em todo o mundo, passado e presente, até dentre santos e homens sábios, nunca houve alguém capaz de entender o que digo, e até eu mesmo , apesar de estar dizendo, não entendo”. Como poderíamos fazer qualquer coisa com essas palavras!?
Sensei era sólido como uma rocha mas também muito relaxado, e essa combinação tornou-o extremamente forte. Ele dominou o relaxamento pela integração completa em seu corpo.
Se eu não tivesse a sorte de encontra Ueshiba Sensei, eu provavelmente viveria minha vida toda sem nunca saber sobre esse tipo de nível de relaxamento. Sou muito grato a ele por me mostrar isso.
Nunca prestei muita atenção naquilo que Sensei dizia e fazia. Você poderia perguntar-lhe todas questões que desejasse e nunca entender suas respostas. Ele iria mostrar somente e dizer algo como “É feito desse modo”.
Eventualmente também encontrei Tempu Nakamura Sensei, de quem escutei pela primeira vez as palavras, “A mente move o corpo”. Ao escutar isso eu pensei, “É isso! Isso é tudo o que há nisso! É tão simples !” Comecei a pesquisar mais intensamente sobre isso e descobri realmente que Ueshiba Sensei movia os corpos de seus oponentes pela condução de suas mentes (kokoro). E ele o fazia totalmente relaxado. Seria bom se ele simplesmente nos ensinasse isso, mas ele nunca o fez.
Depois de pensar sobre isso por um tempo eu entendi que para a mente conduzir o corpo, para que conduza a mente do oponente, você deve primeiro controlar sua própria mente. Comecei a estudar com grande entusiasmo em como fazer isso. Em outras palavras, descobri que unificando a mente e corpo é fundamental para sustentar o Aikidô.
Todavia como Sensei continuava dizendo coisas como “Fixe fortemente seu adversário” enquanto ensinava , as pessoas entendiam incorretamente o que ele estava querendo dizer. Quando ele faleceu , o tipo de Aikidô que ele queria passar para nós simplesmente desapareceu.
Os “Quatro Princípios Principais da Unificação da Mente e Corpo” que ensino atualmente são na verdade coisas que Ueshiba Sensei demonstrava com seu corpo. O Shin Shin Toitsu Aikidô que eu ensino é o Aikidô que Ueshiba Sensei queria ensinar.
Em um grande negócio do Aikidô de hoje em dia, a maneira corrompida com as quais as pessoas praticam permite que técnicas ineficazes sejam passadas como se fosse a coisa verdadeira. Esse Aikidô será somente criticado e ridicularizado. As pessoas tiram vantagem do fato de que não há adversários em Aikidô e se permitem um treinamento corrompido. O resultado disso é que se conduzem à satisfação própria, presunção, e arrogância. Com a morte de Ueshiba Sensei, o verdadeiro Ki e o princípio da unificação da mente e corpo desapareceram do Aikidô.
Princípios Guias para prática do AikidôAikidô recebe críticas como sendo uma farsa, especialmente quando pessoas fazem demonstrações usando seus próprios alunos, sem deixar qualquer outra pessoa tentar, isso é conseqüência da perda do princípio de Ki do Aikidô.
É um erro pensar que Aikidô é um caminho através do qual você encontra seu próprio Ki com o Ki dos outros. Ueshiba Sensei disse, “Cinco e cinco para dez, dois e oito para dez”. Em outras palavras, Aiki é a união do poder de dois com poder de oito para conseguir poder igual a dez. Ou unindo o poder de cinco com o poder de outros cinco para chegar a um poder igual a dez. Ueshiba Sensei disse que é um princípio essencial do Aikidô. Entretanto, eu sempre disse que Aikidô é unir seu Ki com o Ki do Céu e da Terra, ao invés de unir o Ki com o de outras pessoas. Existe somente um Céu e uma Terra e se unirmos nossos corpos com eles, todas pessoas se unirão a nós.
Nossas mentes e corpos foram dados a nós pelo Céu e Terra, e quando somos capazes de unificar nossas mentes com nossos corpos o poder do Céu e da Terra fica aparente. Essa energia é inerente em todas as pessoas. O que eu ensino é como lapidar e puxar adiante essa energia.
Aikidô proíbe competições porque ao permiti-las resultaria na perda real do significado do Budô. Por outro lado, quase todos possuem algum desejo para melhorar, assim como para competir; isso nos estimula a nos esforçar mais e dá esperanças para nos desenvolver.
Aikidô proíbe competições porque está preocupado com a vitória ou perda. Não haveria problema se a competição não visasse vencer ou perder, mas sim o quanto podemos unificar a mente que nos foi dada pelo Céu e Terra para descobrir nosso maior potencial como ser humano. Com isso em mente, eu estabeleci o que é chamado Competição Shin Shin Toitsu Aikidô, um evento não voltado para demonstrações do tipo circense ou outras curiosidades, mas sim uma oportunidade para testar essa unificação da mente e corpo que todos têm potencial para alcançar. Esse evento não é limitado para membros da Ki Society, qualquer um pode participar. Porém aqueles que incapazes de unificar mente e corpo não chegarão muito longe na competição. Eu ensinei unificação mente e corpo para estrelas de beisebol como Sadaharu Oh e lutador de Sumô Chiyonofuji. O fato é, não há nada a perder ao praticar, não há nenhum aspecto negativo. Outro dia eu estava até ensinando o time de beisebol Yomiuri Giants.
Tudo o que espero fazer é ensinar a unificação da mente e corpo. E quero que as pessoas em todos os lugares do mundo tenham a oportunidade de fazer de suas vidas, que avança sem perceberem, uma chance única para viver em sua plenitude através do espírito do Shin Shin Toitsu Aikidô.
Trad. Kendi Chikude
Por Stanley Pranin
Entrevista realizada no dia 8 de fevereiro de 1996 no QG do Ki Society em Tóquio)
Perfil de Koichi Tohei
Nascido em Tóquio em 1920, mudou-se ainda muito jovem para cidade de Tochigi onde passou sua adolescência. Possuía uma saúde muito frágil que o forçava a ir freqüentemente ao hospital. Iniciou seu treinamento em Judô devido à insistência de seu pai. Conseguiu fortalecer seu corpo até um certo nível, aos quinze anos recebeu a faixa preta e aos dezesseis anos entrou no programa preparatório da Universidade Keio. Continuou praticando judô com entusiasmo, mas contraiu uma pleurisia devido ao treinamento excessivo e foi forçado a deixar a escola por um ano. Durante esse período, ele se dedicou ao treinamento de método de respiração Misogi, Zen e outros tipos de disciplinas.
Aos dezenove anos conheceu Morihei Ueshiba e tornou-se seu estudante. Em um curto período de meio ano ele se tornou o representante do fundador (Dairi), sem ainda receber nenhuma graduação no Aikidô foi enviado para ensinar na Academia de Polícia de Nakano e na escola particular de Shumei Okawa.
Aos 23 anos ele foi convocado para o serviço militar e aprendeu sob fogo o segredo de direcionar o ki para o ponto um no abdome inferior (seika no itten).
Entre 1953 e 1971 ele visitou os Estados unidos por quinze ocasiões para ensinar e difundir Aikidô e os princípios de Ki. Tohei recebeu o décimo dan em Aikidô em 1969. Ele ocupou o cargo de Diretor do Shihan (Shihan Bucho) e Diretor (Riji) do Aikikai até deixar esta organização em 1974.
Tohei estabeleceu a Ki Society (Ki no Kenkyukai) em 1971 (reconhecida em 1977 como organização sem fins lucrativos), da qual é presidente até hoje. A Ki Society é a única organização especializada no treinamento em ki sem fins lucrativos no Japão a ser reconhecido pelo Ministério Público do Bem-Estar.
Unificação da Mente e Corpo (Shin Shin Toitsu) e Ueshiba Sensei
Ueshiba Sensei foi uma pessoa que mostrou o que significa a existência em um estado relaxado, possuir o Ki verdadeiro, e unificar a mente e corpo. Sua postura era sólida como uma rocha e você não seria capaz de movê-lo não importando a maneira de empurrá-lo ou puxá-lo; entretanto ele era capaz de me arremessar sem nenhum esforço sem permitir que eu sentisse que ele estava usando qualquer esforço. Eu estava abismado que pudesse realmente existir uma pessoa como essa no mundo. Ueshiba Sensei ensinou-me que o estado relaxado é o mais poderoso, ele era a prova viva disso.
Eu não acredito que atualmente exista uma pessoa capaz de demonstrar do mesmo modo do Ueshiba Sensei. Essa qualidade maravilhosa que ele sofreu tanto para desenvolver (desconsiderando as histórias sobre ele ter arrancado pinheiros do chão, e outras histórias falsas) é o que ele deveria tentar deixar para as gerações futuras.
Por que Ueshiba Sensei proibiu shiai (combate)
Ueshiba Sensei não permitia combates. Em um combate real o objetivo é privar seu oponente absoluta e completamente de seu poder; não cumprindo a isso você não pode declarar vitória. Por outro lado o shiai moderno é regulamentado por regras para a preservação da segurança e das vidas dos combatentes, e sob essas regras a vitória e a derrota são determinadas.
Esses combates são na verdade esportes e, portanto, não são realmente shiai na sua verdadeira essência. Judô , por exemplo, foi desenvolvido para que os participantes levantem-se do tatame após serem derrubados por diversas vezes. Isso só é possível porque o Judô é um esporte, se ocorresse na realidade isso não aconteceria.
No passado, shiai significava que ou você tentasse matar ou ferir gravemente seu oponente, ou pelo menos incapacitá-lo para não conseguir reagir. Caso isso não ocorresse o confronto seria considerado inacabado sem um vencedor.
Budô, por sua natureza, não envolve combate competitivo. Caso você examine o ideograma chinês você encontrará o significado literal “o caminho de parar a arma”. Você abaixa sua arma ao mesmo tempo que seu inimigo abaixa a dele. Em outras palavras, derrotar pessoas não é o objetivo, ao invés disso, Budô é a conclusão e o aperfeiçoamento de si próprio. Assim dizia sempre Ueshiba Sensei.
Para manter nossa segurança e preservar nossas vidas temos que estabelecer regras.
Porém ao decidir vitória e derrota com essas regras nos coloca automaticamente no domínio dos esportes. Ueshiba Sensei foi inflexível por toda sua vida afirmando que Aikidô é um Budô e não um esporte.
O que Ueshiba Sensei ensinou
Ueshiba Sensei nunca ensinou em termos concretos enquanto ele pesava profundamente sobre esses princípios fundamentais do Budô. Quando estávamos treinando ele vinha e nos dizia “coloque alguma potência nisso”. Contudo ele mesmo demonstrava técnicas totalmente relaxado! Em outras palavras, o que ele dizia e o que fazia eram completamente diferentes.
Ele também dizia coisas fantásticas como , “Os deuses transformaram em fumaça e entraram no meu corpo”, e “Em todo o mundo, passado e presente, até dentre santos e homens sábios, nunca houve alguém capaz de entender o que digo, e até eu mesmo , apesar de estar dizendo, não entendo”. Como poderíamos fazer qualquer coisa com essas palavras!?
Sensei era sólido como uma rocha mas também muito relaxado, e essa combinação tornou-o extremamente forte. Ele dominou o relaxamento pela integração completa em seu corpo.
Se eu não tivesse a sorte de encontra Ueshiba Sensei, eu provavelmente viveria minha vida toda sem nunca saber sobre esse tipo de nível de relaxamento. Sou muito grato a ele por me mostrar isso.
Nunca prestei muita atenção naquilo que Sensei dizia e fazia. Você poderia perguntar-lhe todas questões que desejasse e nunca entender suas respostas. Ele iria mostrar somente e dizer algo como “É feito desse modo”.
Eventualmente também encontrei Tempu Nakamura Sensei, de quem escutei pela primeira vez as palavras, “A mente move o corpo”. Ao escutar isso eu pensei, “É isso! Isso é tudo o que há nisso! É tão simples !” Comecei a pesquisar mais intensamente sobre isso e descobri realmente que Ueshiba Sensei movia os corpos de seus oponentes pela condução de suas mentes (kokoro). E ele o fazia totalmente relaxado. Seria bom se ele simplesmente nos ensinasse isso, mas ele nunca o fez.
Depois de pensar sobre isso por um tempo eu entendi que para a mente conduzir o corpo, para que conduza a mente do oponente, você deve primeiro controlar sua própria mente. Comecei a estudar com grande entusiasmo em como fazer isso. Em outras palavras, descobri que unificando a mente e corpo é fundamental para sustentar o Aikidô.
Todavia como Sensei continuava dizendo coisas como “Fixe fortemente seu adversário” enquanto ensinava , as pessoas entendiam incorretamente o que ele estava querendo dizer. Quando ele faleceu , o tipo de Aikidô que ele queria passar para nós simplesmente desapareceu.
Os “Quatro Princípios Principais da Unificação da Mente e Corpo” que ensino atualmente são na verdade coisas que Ueshiba Sensei demonstrava com seu corpo. O Shin Shin Toitsu Aikidô que eu ensino é o Aikidô que Ueshiba Sensei queria ensinar.
Em um grande negócio do Aikidô de hoje em dia, a maneira corrompida com as quais as pessoas praticam permite que técnicas ineficazes sejam passadas como se fosse a coisa verdadeira. Esse Aikidô será somente criticado e ridicularizado. As pessoas tiram vantagem do fato de que não há adversários em Aikidô e se permitem um treinamento corrompido. O resultado disso é que se conduzem à satisfação própria, presunção, e arrogância. Com a morte de Ueshiba Sensei, o verdadeiro Ki e o princípio da unificação da mente e corpo desapareceram do Aikidô.
Princípios Guias para prática do AikidôAikidô recebe críticas como sendo uma farsa, especialmente quando pessoas fazem demonstrações usando seus próprios alunos, sem deixar qualquer outra pessoa tentar, isso é conseqüência da perda do princípio de Ki do Aikidô.
É um erro pensar que Aikidô é um caminho através do qual você encontra seu próprio Ki com o Ki dos outros. Ueshiba Sensei disse, “Cinco e cinco para dez, dois e oito para dez”. Em outras palavras, Aiki é a união do poder de dois com poder de oito para conseguir poder igual a dez. Ou unindo o poder de cinco com o poder de outros cinco para chegar a um poder igual a dez. Ueshiba Sensei disse que é um princípio essencial do Aikidô. Entretanto, eu sempre disse que Aikidô é unir seu Ki com o Ki do Céu e da Terra, ao invés de unir o Ki com o de outras pessoas. Existe somente um Céu e uma Terra e se unirmos nossos corpos com eles, todas pessoas se unirão a nós.
Nossas mentes e corpos foram dados a nós pelo Céu e Terra, e quando somos capazes de unificar nossas mentes com nossos corpos o poder do Céu e da Terra fica aparente. Essa energia é inerente em todas as pessoas. O que eu ensino é como lapidar e puxar adiante essa energia.
Aikidô proíbe competições porque ao permiti-las resultaria na perda real do significado do Budô. Por outro lado, quase todos possuem algum desejo para melhorar, assim como para competir; isso nos estimula a nos esforçar mais e dá esperanças para nos desenvolver.
Aikidô proíbe competições porque está preocupado com a vitória ou perda. Não haveria problema se a competição não visasse vencer ou perder, mas sim o quanto podemos unificar a mente que nos foi dada pelo Céu e Terra para descobrir nosso maior potencial como ser humano. Com isso em mente, eu estabeleci o que é chamado Competição Shin Shin Toitsu Aikidô, um evento não voltado para demonstrações do tipo circense ou outras curiosidades, mas sim uma oportunidade para testar essa unificação da mente e corpo que todos têm potencial para alcançar. Esse evento não é limitado para membros da Ki Society, qualquer um pode participar. Porém aqueles que incapazes de unificar mente e corpo não chegarão muito longe na competição. Eu ensinei unificação mente e corpo para estrelas de beisebol como Sadaharu Oh e lutador de Sumô Chiyonofuji. O fato é, não há nada a perder ao praticar, não há nenhum aspecto negativo. Outro dia eu estava até ensinando o time de beisebol Yomiuri Giants.
Tudo o que espero fazer é ensinar a unificação da mente e corpo. E quero que as pessoas em todos os lugares do mundo tenham a oportunidade de fazer de suas vidas, que avança sem perceberem, uma chance única para viver em sua plenitude através do espírito do Shin Shin Toitsu Aikidô.
Trad. Kendi Chikude
domingo, junho 04, 2006
Entrevista com Waka Sensei (Shinichi Tohei Sensei)
Entrevista com Waka Sensei (Shinichi Tohei Sensei)
William Reed conduziu a seguinte entrevista com Koichi Tohei sensei, com a participação de seu filho e sucessor Shinichi Tohei (Waka Sensei), em 19 de maio de 2000. A entrevista foi feita em japonês e traduzida para o inglês por William Reed, com a aprovação de Tohei Sensei. Tradução em português de Wilson Hideki Sagae.
- Waka Sensei, o que o senhor vê como sendo seus maiores desafios para levar o trabalho de seu pai adiante?
- Eu penso que o maior desafio é desenvolver uma forte iniciativa que falta a minha geração porque tivemos tudo entregue pronto para nós. É verdade que o caminho foi limpo, mas porque essa limpeza não foi feita por nós mesmos nós tendemos a perder a motivação necessária para manter-nos no caminho. Minha geração é a geração que irá carregar o Japão durante a primeira metade do século 21. Ainda que nós tenhamos crescidos preguiçosos e dependentes de máquinas e aparelhos eletrônicos. Nós temos muitas escolhas, mas pouco foco. Como meu pai, eu preciso encontrar meios de tornar as pessoas interessadas em treinar, ensina-los a unificar mente e corpo e encarar os desafios que virão. Nós temos um ditado: ''Fueki Ryuko,'' que significa que a vida não muda seus fundamentos mas sempre altera a superfície. Como lidamos com isso, para preservar as verdades fundamentais enquanto vivemos em um mundo mutável, esse é o mesmo desafio que enfrentamos quando ensinamos. Por causa dessas raízes da cultura japonesa, Ki-Aikido nos dá uma chance de redescobrir o significado de importantes costumes japoneses que estão sendo perdidos, e manter o que é importante ser preservado.
- O senhor diz que muitas palavras tradicionais e conceitos japoneses não fazem sentido para a nova geração. Linguagem e valores mudados, como fazer uma ponte entre as gerações ensinando Ki?
- Meu pai nasceu no Japão, em 1920. Era um mundo muito diferente do de hoje, e muitas das palavras e expressões usadas pela geração nascida antes da guerra não são ensinadas ou entendidas hoje. Nossa linguagem mesmo tem sido mudada. Muitos da nova geração nunca ouviram as idéias que vêm do chinês clássico, e isso algumas vezes é difícil ensinar. Por essa razão, eu estou trabalhando com meu pai para encontrar nos modos de expressar essas idéias, novas palavras e exemplos que façam sentido para minha geração, mas que ainda sejam consistentes com as verdades fundamentais.
- Os computadores têm ajudado a criar um boom nas artes marciais por duas razões: a rápida disseminação da informação e comunicação por meio da internet; e o que é chamado techno-stress, a necessidade de equilibrar mente e corpo. O que o senhor espera que os websites possam fazer para ajudar as pessoas e as artes marciais?
Aparelhos eletrônicos têm feito nossa vida mais conveniente, mas também nos trouxeram problemas de sedentarismo como dependência das conveniências. Ki-Aikido pode ajudar-nos a restaurar o equilíbrio entre mente e corpo, e manter o bem estar e saúde por toda a vida. A internet faz isso possível para nós por comunicar instantaneamente com as pessoas de todo o mundo. Essa é uma coisa boa, e nós esperamos que isso possa levar os benefícios do Ki-Aikido para pessoas que de outro modo nunca teriam sabido de sua existência. A Ki Society ainda está desenvolvendo informações para nosso website em inglês, mas em adição aos livros de Tohei sensei, muitos dojos membros da Ki Society por todo o mundo têm websites em inglês (e outras línguas) onde as pessoas podem encontrar mais informações.
William Reed conduziu a seguinte entrevista com Koichi Tohei sensei, com a participação de seu filho e sucessor Shinichi Tohei (Waka Sensei), em 19 de maio de 2000. A entrevista foi feita em japonês e traduzida para o inglês por William Reed, com a aprovação de Tohei Sensei. Tradução em português de Wilson Hideki Sagae.
- Waka Sensei, o que o senhor vê como sendo seus maiores desafios para levar o trabalho de seu pai adiante?
- Eu penso que o maior desafio é desenvolver uma forte iniciativa que falta a minha geração porque tivemos tudo entregue pronto para nós. É verdade que o caminho foi limpo, mas porque essa limpeza não foi feita por nós mesmos nós tendemos a perder a motivação necessária para manter-nos no caminho. Minha geração é a geração que irá carregar o Japão durante a primeira metade do século 21. Ainda que nós tenhamos crescidos preguiçosos e dependentes de máquinas e aparelhos eletrônicos. Nós temos muitas escolhas, mas pouco foco. Como meu pai, eu preciso encontrar meios de tornar as pessoas interessadas em treinar, ensina-los a unificar mente e corpo e encarar os desafios que virão. Nós temos um ditado: ''Fueki Ryuko,'' que significa que a vida não muda seus fundamentos mas sempre altera a superfície. Como lidamos com isso, para preservar as verdades fundamentais enquanto vivemos em um mundo mutável, esse é o mesmo desafio que enfrentamos quando ensinamos. Por causa dessas raízes da cultura japonesa, Ki-Aikido nos dá uma chance de redescobrir o significado de importantes costumes japoneses que estão sendo perdidos, e manter o que é importante ser preservado.
- O senhor diz que muitas palavras tradicionais e conceitos japoneses não fazem sentido para a nova geração. Linguagem e valores mudados, como fazer uma ponte entre as gerações ensinando Ki?
- Meu pai nasceu no Japão, em 1920. Era um mundo muito diferente do de hoje, e muitas das palavras e expressões usadas pela geração nascida antes da guerra não são ensinadas ou entendidas hoje. Nossa linguagem mesmo tem sido mudada. Muitos da nova geração nunca ouviram as idéias que vêm do chinês clássico, e isso algumas vezes é difícil ensinar. Por essa razão, eu estou trabalhando com meu pai para encontrar nos modos de expressar essas idéias, novas palavras e exemplos que façam sentido para minha geração, mas que ainda sejam consistentes com as verdades fundamentais.
- Os computadores têm ajudado a criar um boom nas artes marciais por duas razões: a rápida disseminação da informação e comunicação por meio da internet; e o que é chamado techno-stress, a necessidade de equilibrar mente e corpo. O que o senhor espera que os websites possam fazer para ajudar as pessoas e as artes marciais?
Aparelhos eletrônicos têm feito nossa vida mais conveniente, mas também nos trouxeram problemas de sedentarismo como dependência das conveniências. Ki-Aikido pode ajudar-nos a restaurar o equilíbrio entre mente e corpo, e manter o bem estar e saúde por toda a vida. A internet faz isso possível para nós por comunicar instantaneamente com as pessoas de todo o mundo. Essa é uma coisa boa, e nós esperamos que isso possa levar os benefícios do Ki-Aikido para pessoas que de outro modo nunca teriam sabido de sua existência. A Ki Society ainda está desenvolvendo informações para nosso website em inglês, mas em adição aos livros de Tohei sensei, muitos dojos membros da Ki Society por todo o mundo têm websites em inglês (e outras línguas) onde as pessoas podem encontrar mais informações.
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